Ivone Soares na pole position

Ivone Soares na pole position – A antiga chefe da bancada parlamentar da RENAMO na Assembleia da República, Maria Ivone Soares, é tida como estando a evidenciar interesse pessoal/política de recuperar o seu antigo protagonismo como quadro e dirigente desta que é a organização política mais influente de Moçambique, depois do partido Frelimo.

Segundo uma publicação baseada em Portugal, após a morte do tio, Afonso Dhlakama, Ivone Soares, que antes integrava o Conselho nacional da RENAMO, reduziu a sua vida partidária a uma discreta presidência da organização juvenil da RENAMO.

Uma versão segundo a qual a discrição a que Ivone Soares então se remeteu foi ditada por mudanças na sua vida privada (matrimónio e maternidade), coexistiu sempre com outra, considerada mais pertinente, a de que pretendeu assim demarcar-se do novo líder do partido, Ossufo Momade, cuja candidatura não aceitara apoiar, segundo a publicação Africa Monitor Intelligence.
Esta fonte, especializada em assuntos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), recorda que Ivone Soares fez parte de um grupo de antigos dirigentes da RENAMO, quase todos em posições de destaque no tempo de Dhlakama, que apoiou a candidatura de Elias Dhlakama, irmão do falecido líder. A sua posição foi associada a reservas, que considera confirmadas, em relação ao perfil e ao estilo de Momade para o exercício do cargo de presidente da RENAMO.
A publicação que temos vindo a citar entende que da mais recente demonstração do protagonismo político-partidário que Ivone Soares, hoje comentadora-residente num canal de tv, denota pretender recuperar foi a sua presença, descrita como “muito notória” numa cerimónia com que em Mangunde, terra natal de Afonso Dhlakama, a RENAMO assinalou a passagem do terceiro aniversário da sua morte.

Para a publicação que temos estado a citar, a predisposição atribuída a Ivone Soares para vir a candidatar-se à liderança da RENAMO não é considerada estranha a “encorajamentos” de outros antigos dirigentes descontentes com a presidência de Ossufo Momade, incluindo Elias Dhlakama.

“A Ivone Soares são geralmente reconhecidos méritos como boa preparação política, espírito lutador e boa capacidade de comunicação. A sua condição de mulher também a favorece, embora, numa sociedade com as características da moçambicana, não tão amplamente como os seus laços de parentesco com o antigo e carismático líder da RENAMO”, diz o Africa Monitor Intelligence.

Ivone Soares ao lado do pai do falecido Afonso Dhlakama
Ivone Soares ao lado do pai do falecido Afonso Dhlakama


Na avaliação deste periódico, o exercício que Ossufo Momade tem vindo a fazer do cargo de presidente é, em geral, considerado “apagado”, consequência de traços do seu perfil como falta de rasgo político, ausência de dinamismo e incapacidade de comunicação. A sua pretensa “colagem” ao partido FRELIMO também lhe é prejudicial.
A contestação interna a Ossufo Momade deu lugar a manifestações de rebeldia, uma ainda activa, a de Mariano Nhongo e outras de duração efémera. “No essencial, porém, os descontentes, por razões que divergem entre os analistas, seguem uma linha de discrição”.

A necessidade de “robustecer” a RENAMO através da eleição de um novo líder dotado de mais capacidades, é vista internamente como um “imperativo” da sobrevivência do próprio partido. Conjectura-se que a posição “acomodatícia” em que se considera que se encontra conduzirá ao seu definhamento progressivo.
Na própria sociedade civil e em meios internacionais mais atentos à situação em Moçambique também se considera que o estado letárgico em que se encontra a RENAMO precisa de ser invertido, a bem do futuro do país. Considera-se que a ausência de uma oposição credível fomenta o relaxamento na governação da FRELIMO, ainda de acordo com o mesmo veículo.

“Armadilha” no Parlamento

Ivone Soares algures em Sofala, com membros de base da RENAMO


A aprovação no início deste mês de maio, por unanimidade, do novo Estatuto do Funcionário e Agente Parlamentar pela própria Assembleia da República, colocando de acordo os partidos com assento parlamentar – FRELIMO, RENAMO e MDM – foi amplamente criticada entre a sociedade civil, mobilizando diversas organizações contra a iniciativa dos deputados. Na sequência de protestos públicos e desacatos envolvendo estudantes universitários, a aprovação final está suspensa, tendo sido adiada sine die a discussão em plenário.


A aprovação no início deste mês de maio, por unanimidade, do novo Estatuto do Funcionário e Agente Parlamentar pela própria Assembleia da República, colocando de acordo os partidos com assento parlamentar – FRELIMO, RENAMO e MDM – foi amplamente criticada entre a sociedade civil, mobilizando diversas organizações contra a iniciativa dos deputados. Na sequência de protestos públicos e desacatos envolvendo estudantes universitários, a aprovação final está suspensa, tendo sido adiada sine die a discussão em plenário.

Para os críticos da iniciativa dos deputados, conhecidos pela fraca produção política e legislativa e pelo gosto pelas “viagens”, a alteração do estatuto não tem cabimento no momento actual, face à crise económica e social resultante do Covid-19 e à situação interna em Cabo Delgado, onde a falta de recursos tem sido considerada uma das causas da incapacidade do governo em controlar o conflito, provocando mais de 700 mil deslocados

O Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO), uma plataforma da sociedade civil que engloba diversas organizações (OSC) como o CIP, CDD e OMR, tem liderado a contestação ao novo Estatuto e interpôs uma petição à Assembleia da República, em parceria com a Rede Moçambicana Dos Defensores Dos Direitos Humanos (RMDDH), exigindo a revogação da legislação.

O coordenador do FMO, Adriano Nuvunga, tem vindo a assumir o protagonismo dos protestos. Se o Parlamento não recuar, as OSC ameaçam avançar para o Conselho Constitucional, solicitando a inconstitucionalidade do diploma.

Segundo observadores locais, o caso prejudica sobretudo a oposição parlamentar que alinhou na aprovação do diploma, em especial a RENAMO.

A liderança de Ossufo Momade, já debilitada internamente face às posições consonantes com a FRELIMO, muitas consideradas “cúmplices”, continua em fase descendente, com aumento da contestação interna. (Ivone Soares na pole position)


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