“Fuga” de empreendedores em Inhambane
A pouco mais de um mês da realização da Primeira Conferência Internacional de Turismo de Inhambane, agendada para ocorrer nos dias 03 e 04 de Novembro em Vilankulo, se assiste a uma verdade “fuga” de investidores, na sua maioria da esfera turística, sob os mais variados pretextos.
Ao que o jornal Redactor e a revista Prestígio apuraram, pelo menos 26 estâncias turísticas estão à venda em diversos distritos de Inhambane e pelos menos três já foram alienadas em Vilankulo (duas) e em Inhassoro (uma), todas elas ao preço de 23 milhões de meticais.
O grosso dos “desapegos” ocorre nas zonas de Guinjata, Barra, Vilankulo e Inhassoro, todas elas famosas pelas belas praias que existem ao longo dos cerca de setecentos quilómetros que banham a província de Inhambane, Sul de Moçambique.

No rol da arrematação estão ainda casas, quintas e terrenos baldios em diversos pontos da chamada “capital do Turismo” de Moçambique, conforme se pode ver num site especializado em transações de propriedades por nós consultado.
Os reflexos directos das manifestações violentíssimas que se seguiram às eleições de 09 de Outubro de 2024, associados às deficientes ligações aéreas, burocracias excessiva estradas precárias e extorsões alegadamente protagonizadas por agentes da Política e dos fiscais das Finanças se destacam na lista das causas que estão a desanimar os investidores, conforme alegaram ao jornal Redactor e à revista Prestígio as nossas fontes, que aceitaram falar na condição de não serem identificadas.
Samuel Junior, Director Provincial de Cultura e Turismo na província de Inhambane recua para os tempos da covid para encontrar prováveis motivos deste quadro e expressou fé de que a Conferência Internacional de Turismo programada para Novembro em Vilankulo poderá trazer soluções para muitos dos desafios actualmente prevalecentes.
“Nesta conferência estarão lá representantes das Linhas Aéreas de Moçambique e de outras operadoras, dos Aeroportos de Moçambique. Em Vilankulo, por exemplo, temos dois voos regulares diários da Air Link oriundos da África do Sul”, referiu Samuel Junior.
O responsável admitiu o impacto que pode estar por detrás das falhas de ligações aéreas internas. “Há quem precisa de sair de um ponto daqui de Moçambique para a cidade de Inhambane. Aqui não temos voos regulares. Se tivéssemos, por exemplo, um voo que sai as 16 horas de Maputo nas sextas-feiras e um que sai às 06 horas de Inhambane para Maputo às segundas-feiras, acredito que poderíamos ter uma avalanche de turistas a virem passar o fim-de-semana, já que as vias rodoviárias não ajudam”.
O governante referiu que as alegadas extorsões estão a ser combatidas. Afirmou ainda ter conhecimento de alguns casos de constrangimentos resultantes de incumprimentos de certas obrigações pelos operadores na sequência da covid e das manifestações ocorridas entre finais de 2024 e início deste 2025. “Tomamos conhecimento e temos estado a buscar soluções com as partes interessadas. Sugerimos inspecções pedagógicas e não punitivas, sem, com isso, pretender que os operadores devem deixar de cumprir com as suas obrigações”.

“É uma questão do contexto, em algum momento caracterizado pela ausência de clientes, resultando na incapacidade de garantir o cumprimento de certas obrigações”, sugeriu Samuel Junior.
O Global Sustainable Tourism Summit — Conferência Internacional de Turismo — reunirá especialistas, operadores turísticos, autoridades governamentais e comunidades locais para debater e promover um futuro sustentável para o turismo em Inhambane.
Na óptica dos organizadores do evento que tem como lema Inhambane: um destino de excelência, um futuro de oportunidades, esta é uma “oportunidade única” para conhecer e debater o potencial turístico da província, assim como impulsionar o desenvolvimento económico e social de Inhambane.
Promover a internacionalização do destino Inhambane, posicionar a província como capital de turismo de Moçambique, divulgar a carteira de projectos turísticos-culturais prioritários já identificados, atrair os grandes grupos de investidores do sector e os grandes hotéis internacionais e propor soluções digitais inovadores para melhorar a experiência turística são alguns dos desígnios traçados para o Global Sustainable Tourism Summit.
Redactor
Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 01 de Outubro de 2025.
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