Finalmente “SOS” governamental para travar erosão
Pelo menos quatrocentos empreendimentos turísticos estão em perigo em Inhambane por causa da erosão que afecta diversos pontos dos cerca de 700 quilómetros de costa daquele ponto de Moçambique.
Esta situação foi admitida por Francisco Pagula, governador da província de Inhambane, Sul de Moçambique, considerada a “catedral do turismo” do país, por hospedar a maioria das mais emblemáticas maravilhas turísticas naturais à escala nacional.
O certo é que os dados apresentados pelo Governador Pagula pecam por defeito, a avaliar pelos pontos por ele referenciados na semana passada: distritos de Vilankulo, Inhassoro, Morrumbene e Jangamo, apenas.
É que na primeira edição de 2023 [Janeiro e Fevereiro] a revista Prestígio fez capa com matéria na qual descrevia os efeitos das mudanças climáticas que estão a devastar Inhambane e outras regiões de Moçambique [2.770 quilómetros de costa], tomando as praias de Závora, no distrito de Inharrime, como ponto de referência.

Nessa edição, António Jamisse Mazivila, líder comunitário do segundo escalão na região costeira e piscatória de Závora, fez descrições impressionantes sobre os efeitos e consequências trágicas das mudanças climáticas e sublinhava a urgência de uma intervenção de quem de direito para enfrentar a situação que até está a gerar penúria em muitas famílias.
Nessa altura o clamor de Mazivila foi secundado pela bióloga canadiana Nakia Cullain, membro da Marine Magafauna Foundation (MMF), estabelecida em
Závora desde 2016, substituindo sua colega Yara Tiribiça (vide revista Prestígio N° 45, Novembro de 2010, págs. 18 a 21).
Com o título “Ninguém mexe palha”, na edição de Maio e Junho deste 2025 a revista Prestígio, de distribuição gratuita, voltou a abordar a questão da erosão em Inhambane, província que está a preparar a primeira conferência internacional de Turismo para Novembro deste 2025, em Vilankulo, para atrair investidores para este sector nesta região de Moçambique (Redactor Nº 7164, págs. 1 e 2).
De acordo com Francisco Pagula, a gravidade da situação já forçou à interrupção de actividades em alguns empreendimentos turísticos, resultado em perdas financeiras, incluindo para o próprio Estado [impostos e taxas] e desemprego no sector de hotelaria e turismo.
O governador de Inhambane descreve a situação de “crítica” em vários pontos do litoral, sublinhando a urgência de uma resposta coordenada para mitigar o impacto do fenómeno.
“Temos tido situações críticas de erosão. Como província tomamos uma iniciativa de criar uma plataforma de diálogo ambiental que é para discutirmos o que pode ser feito para que o nosso ambiente não seja colocado em perigo, para que o nosso turismo seja saudável na perspectiva ambiental, porque estas duas áreas podem caminhar juntas, porque todas elas a população precisa”, referiu Pagula, sem detalhar.
Aparentemente, o governante associa a erosão com a exploração de recursos minerais em curso e/ou em perspectiva na província de Inhambane, avaliar pelos comentários a baixo.
No entender do governador de Inhambane a exploração mineira é imprescindível, a exploração turística também é necessária, pelo que se deve encontrar “um mecanismo de conexão onde nenhum fere o outro, seja na perspectiva de realização de seu negócio, seja na perspectiva de impacto ambiental”.
O governante apelou às comunidades para saber combinar a preservação ambiental como estratégia para travar a erosão e a subida dos níveis do mar ao longo das sete centenas de quilómetros da costa da província de Inhambane.
REFINADO CHILENGUE
Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 07 de Outubro de 2025.
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