Mais uma tragédia natural se aproxima do Sul e Centro de Moçambique

O Governo moçambicano alertou hoje para os impactos esperados do ciclone Gezani, que deverá atingir a costa Sul do país na sexta-feira, com ventos até 140 quilómetros por hora e chuvas intensas, apelando à prevenção da população.

“Este sistema poderá fazer aproximação à costa moçambicana no dia 13 de Fevereiro de 2026 como ciclone tropical, podendo afectar os distritos costeiros das províncias de Sofala, Inhambane e Gaza”, disse Inocêncio Impissa, porta-voz do Conselho de Ministros, após a reunião semanal daquele órgão, em Maputo.

Em conferência de imprensa, explicou que os impactos deste ciclone podem representar um “recuo” nos “esforços” para salvar vidas nas cheias — 27 mortos desde Janeiro – que já afectaram 724 mil pessoas, caso os deslocados comecem a deixar os centros de abrigo.

Nesta sessão, disse, o Governo apreciou informação sobre a tempestade, revelando que a mesma “poderá evoluir para ciclone tropical, atravessando Madagáscar hoje”, e com “previsão de atingir o canal de Moçambique” já na quarta-feira.

O ciclone é esperado no litoral do Sul do país “com ventos médios de 120 quilómetros por hora e rajadas até 140 quilómetros por hora e chuvas intensas”, acrescentando o porta-voz do Governo a previsão de que o ciclone tropical Gezani afecte cerca de 1,1 milhão de pessoas.

“O Conselho de Ministros apela a todos os moçambicanos ou a todos os cidadãos residentes nas zonas de possível impacto do ciclone Gezani a seguirem as informações e orientações das entidades competentes por forma a minimizar os impactos negativos da passagem deste ciclone”, apelou Impissa.

As autoridades moçambicanas activaram acções antecipadas para ciclones para algumas províncias do Sul e Centro que poderão ser atingidas pela passagem deste ciclone.

“Diante deste cenário (…), o Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres [CTGD] activou as acções antecipadas para ciclones para a província de Sofala, bem como na região Sul”, lê-se num comunicado conjunto do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE), que reuniram segunda-feira.

O INGD e o CENOE recomendam a adopção de medidas face ao alerta, entre as quais o reforço da segurança da cobertura das casas, portas e janelas com material resistente, preparação de um ‘kit’ básico de mantimentos para sobrevivência, incluindo alimentos, vestuário essencial, cobertores, medicamentos, documentos de identificação pessoal e água, conservar alimentos, documentos, material escolar em locais seguros e informar-se sobre os locais seguros para abrigo, junto das autoridades locais e Comités Locais de Gestão e Redução do Risco de Desastres.

No documento pede-se ainda a retirada de pequenas embarcações da água para locais seguros, sendo massificada a difusão de mensagens de aviso à população através das rádios comunitárias, Órgãos de Comunicação Social, Comités Locais de Gestão e Redução do Risco de Desastres (CLGRD) e outros meios.

As autoridades moçambicanas reiteram ainda a importância da colaboração de todos e apelam à atenção permanente aos próximos comunicados e avisos emitidos pelas autoridades competentes.

Desde o início da época das chuvas em Moçambique, em Outubro, incluindo as cheias de Janeiro, há registo de 202 mortos, além de 291 feridos e de 852.285 pessoas afectadas, segundo actualização feita hoje pelo INGD.
Redactor

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