Exposição “Viagens em Memórias Longínquas” patente no Auditório do BCI
Está patente ao público, desde Terça-feira, 5 de Maio, no Auditório do BCI, em Maputo, a exposição “Viagens em Memórias Longínquas”, da autoria do artista plástico moçambicano Virgílio Tamele.
A mostra, predominantemente composta por peças de cerâmica, integra igualmente pintura e poesia, proporcionando uma experiência artística que convida a uma viagem no tempo e no espaço.
Intervindo no acto inaugural, a representante do BCI, Carla Mamade, afirmou que “a exposição propõe uma reflexão em torno do próprio barro enquanto elemento da identidade”, acrescentando que “este projecto afirma-se como um programa cultural de continuidade, orientado para a valorização das cadeias de valor locais, para a inclusão das comunidades, para a educação artística e para o desenvolvimento sustentável”.
Na ocasião, destacou ainda que “estas iniciativas se alinham com os objectivos do BCI de promoção da cultura, da inovação e da sustentabilidade, bem como com o papel das nossas Mediatecas enquanto plataformas de educação e valorização do talento nacional”.
A cerimónia de abertura contou com a presença da académica e docente de Literatura Teresa Manjate, na qualidade de curadora da exposição, tendo conduzido uma conversa intimista e descontraída com o artista. A noite ficou igualmente marcada pela interacção com o público e por momentos de arte performativa.
A exposição reúne cerca de 230 peças de cerâmica e mais de uma dezena de quadros de pintura, para além de poemas que reforçam a dimensão lírica da mostra.
Ao percorrer a exposição, o público é conduzido por um universo cromático dominado pelos tons castanho e ocre do barro, contrastando com o amarelo e o azul das telas, numa experiência em que a cerâmica ganha vida e as paisagens parecem expandir-se em múltiplas dimensões e matizes. Trata-se de uma verdadeira poesia visual, em que a força e a emoção das cores se revelam sobre o solo cerâmico.
Para aprofundar a compreensão do simbolismo presente na obra de Virgílio Tamele, diversos suportes escritos acompanham a exposição. Um dos textos destaca que “a importância de compreender a cerâmica no contexto religioso reside no facto de as peças raramente serem apenas objectos utilitários ou decorativos; elas funcionam como recipientes de significados sagrados, rituais e identitários”.
Outro excerto sublinha que “a argila é frequentemente vista como uma substância sagrada que representa o ciclo da vida e da morte. Em muitas tradições, o barro é o meio pelo qual o ser humano se conecta com a natureza e com divindades, como a ‘Mãe do Barro’ ou ‘Senhora da Argila’”.
A exposição encontra-se aberta ao público, com entrada livre, até ao próximo dia 16 de Maio.
©Redactor
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