Nem todos “deitaram fora” a Mulala

Se bem que não é como dantes, o certo é que a Mulala continua a servir, e não a poucos, à escala nacional. Tomemos como amostra a chamada “capital do Norte”, principal centro urbano da província mais populosa de Moçambique.

Efectivamente, na cidade de Nampula, o uso da Mulala continua a ser uma prática comum, principalmente entre muitas mulheres, que recorrem a esta planta tradicional para cuidar da saúde bucal, mantendo viva uma herança cultural transmitida de geração em geração.

Em contacto com a Reportagem do jornal Redactor, diversas entrevistadas partilharam as suas experiências, destacando a eficácia da Mulala na prevenção e tratamento de problemas dentários. Apesar de reconhecerem um efeito considerado incómodo — a coloração avermelhada que permanece nos lábios após o uso —, muitas afirmam que os benefícios superam esse constrangimento.

Conhecida na medicina tradicional em países como Moçambique, Zimbabwe e Zâmbia, a Mulala é amplamente utilizada no tratamento de infecções bucais. Entre as suas propriedades mais valorizadas estão a redução da inflamação das gengivas, o controlo do sangramento e o alívio das dores dentárias.

Para muitas famílias em Nampula, trata-se de um recurso acessível, natural e eficaz, reforçando a importância dos produtos locais na promoção da saúde. No entanto, as entrevistadas são unânimes em sublinhar que o uso da Mulala não substitui a consulta com profissionais de saúde, sobretudo em casos mais complexos.

Sandra Eugénio

Sandra Eugénio, residente em Nampula, relata que recorre à Mulala sempre que sente dores dentárias. “Uso mais quando tenho dores. Já me ajudou várias vezes”, afirmou. Apesar disso, admite que evita o uso frequente devido à coloração nos lábios. “Chama muita atenção”, explicou. Para contornar esse efeito, combina métodos: “Uso primeiro a Mulala e depois escovo os dentes, assim reduzo o vermelho”.

Sandra revelou ainda que perdeu quatro dentes e acredita que poderia ter evitado a situação com o uso contínuo da planta. “Se tivesse usado mais, talvez não tivesse perdido os dentes. Por isso aconselho”, disse.

Por sua vez, Ângela da Fonseca, natural de Maputo, afirma que passou a conhecer melhor a Mulala após chegar a Nampula. Embora não a utilize com frequência, reconhece os seus benefícios. “Se ajuda nas gengivas, vale a pena usar. A saúde deve vir primeiro”, destacou.

Observa-se, no entanto, uma tendência entre os mais jovens de substituírem práticas tradicionais por produtos industriais de higiene oral. Especialistas e utilizadores defendem que essa mudança não deve significar o abandono total dos conhecimentos locais, mas sim a sua integração com práticas modernas.

A valorização da Mulala representa não apenas uma alternativa natural para o cuidado da saúde bucal, mas também um resgate dos saberes tradicionais, promovendo o uso sustentável dos recursos locais e o reconhecimento da riqueza cultural moçambicana.

ELINA ECIATE (Texto e fotos)

Este artigo intitulado foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 28 de Maio de 2026.

Caso esteja interessado em passar a receber o PDF do Redactorfavor ligar para 843085360 ou envie e-mail para correiodamanha@tvcabo.co.mz 

Também pode optar por pedir a edição do seu interesse através de uma mensagem via WhatsApp (84 3085360), enviando, primeiro, por mPesa, para esse mesmo número, 50 meticais ou pagando pelo paypal associado ao refinaldo@gmail.com.

Gratos pela preferência Para ver a revista Prestígio de Maio/Junho de 2026 clique AQUI 

Compartilhe o conhecimento

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *