Sexo anal não consentido aumenta riscos de suicídios

O Hospital Central de Nampula (HCN) registou um aumento de casos de suicídio no primeiro semestre deste ano, fenómeno associado, entre outros factores, à violência sexual, incluindo práticas de sexo anal não consentido, alertou um responsável de saúde.

Citado esta quinta-feira (09 de Julho de 2026) pelo jornal Ikweli, editado na cidade de Nampula, o psicólogo clínico Ibraimo Colabo, afecto ao Gabinete de Atendimento Integrado às Vítimas de Violência (GAIVV), afirmou que este tipo de abuso tem provocado “impactos psicológicos profundos”, como depressão, ansiedade e stresse pós-traumático, podendo evoluir para comportamentos suicidários.

Dados do HCN indicam que, nos primeiros seis meses do ano, foram registados 222 casos de suicídio, dos quais 145 envolvendo homens, contra 186 no mesmo período do ano passado.

Segundo o especialista, muitos casos de violência sexual, em particular de sexo anal não consentido, permanecem ocultos devido ao estigma social e ao receio de exposição, sobretudo entre homens heterossexuais.

“Muitas vítimas não denunciam por vergonha ou medo, o que dificulta a intervenção precoce e agrava o impacto psicológico”, disse.

Colabo relatou ainda casos acompanhados pela unidade sanitária, incluindo o de um menor alegadamente vítima de abuso sexual por um familiar, sublinhando que situações desta natureza tendem a gerar sentimentos de culpa, depressão e isolamento.

O psicólogo alertou que a falta de acompanhamento adequado pode aumentar o risco de suicídio como forma de escape ao sofrimento, defendendo a necessidade de reforço dos serviços de saúde mental e de mecanismos de denúncia.

O GAIVV presta apoio psicológico às vítimas de violência sempre que os casos são identificados, incluindo situações de sexo anal não consentido, com vista a prevenir consequências mais graves.

Apesar disso, o HCN reconhece não dispor ainda de dados sistematizados sobre a incidência específica deste tipo de violência nas consultas externas, apontando para a necessidade de maior monitoria e sensibilização sobre o problema.

©Redactor

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