O púlpito da rua: Não desperdice a oportunidade de salvar — Padre JOÃO RIBEIRO
A certeza de que o mundo está cada vez mais de cabeça para baixo deveria servir de alerta para nós, cristãos. Há uma urgência inegável na necessidade de pregar a mensagem do Reino para a salvação de muitos.
Se olharmos para trás, todo verdadeiro cristão é fruto de uma mensagem fielmente pregada sobre Deus e o Seu poder salvador, manifestado por intermédio de Seu Filho, Jesus Cristo. Compreender essa grande verdade deveria nos constranger a olhar para o próximo, tanto para aqueles que ainda não conhecem a salvação, quanto para os que, por alguma distração da vida, se desviaram dos princípios da fé.
Tenho convicção de que pregar a Palavra não é um dever restrito aos que receberam uma ordenação, unção ou cargo eclesiástico. É uma missão de todos os que foram alcançados pela graça, que acolheram a Palavra e que sentem o coração transbordar por ela. A verdadeira pregação nada mais é do que isso: o transbordar daquilo que enche o coração do cristão para alimentar as almas sedentas que Deus coloca em nosso caminho.
Precisamos aproveitar cada oportunidade que Ele nos concede para partilhar o que carregamos por dentro.
Recentemente, tive a alegria de viver um “culto” que Deus quis que acontecesse em plena rua, com apenas sete pessoas, incluindo a mim.
Eu conversava com alguns amigos quando uma moto passou transportando duas pessoas. Uma delas era uma mulher visivelmente gorda. Próximas a nós, algumas adolescentes começaram a rir da cena de forma indiscreta e zombeteira.
Naquele instante, olhei para elas e pensei em quantas vezes aquela mulher passava por situações semelhantes. Imaginei como ela se sentia a cada risada cruel e me perguntei: “E se ela decidir não sair mais de casa por medo do preconceito? E se esse sofrimento a levar a tomar uma decisão trágica, daquelas que todos nós imaginamos?”
Impulsionado por esse sentimento, chamei as meninas para perto de mim. Como era de se esperar, elas resistiram no início, temendo uma bronca. Mas, com um pouco de persistência, elas se aproximaram.
Não usei palavras de condenação. Apenas as convidei a refletir:
— “Como vocês se sentiriam se, daqui a alguns dias, soubessem que aquela moça tirou a própria vida por causa de comportamentos como o de vocês hoje?”
— “Como lidariam com isso se ela fosse alguém da família de vocês?”
O impacto dessas perguntas gerou um silêncio profundo, seguido de um visível arrependimento. Para minha surpresa e alegria, uma das próprias adolescentes sugeriu que déssemos as mãos para orar naquele exato momento. Foi emocionante ouvi-la pedir perdão a Deus por terem rido de alguém que nunca escolheu o corpo que tem.
Terminada a oração, eu as dispensei para que continuassem suas conversas. No entanto, em unanimidade, elas disseram que não queriam ir embora. Pediram que eu continuasse ali, ensinando-as sobre a Palavra de Deus.
Hoje, recordo esse episódio com o coração aquecido e me questiono: e se eu tivesse me calado? Quem conduziria aquelas quatro adolescentes ao arrependimento e a um aprendizado que, agora, elas podem replicar para salvar outras pessoas?
Não guarde o que você carrega. Vamos usar tudo o que estiver à nossa disposição (nosso tempo, nossa voz, nossa empatia) para partilhar aquilo que verdadeiramente pode curar e salvar os que estão ao nosso redor. O campo de pregação é onde os seus pés estão pisando agora.
@JOÃO RIBEIRO (Padre)
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