O regresso do FMI regressa a Moçambique

Uma delegação do Fundo Monetário Internacional (FMI) iniciou hoje uma nova visita de trabalho a Moçambique, para negociações técnicas sobre um eventual programa de apoio financeiro ao país, confirmou o Ministério das Finanças.

Segundo um comunicado do Ministério das Finanças, a missão vai decorrer até 18 de Setembro, em Maputo, “no âmbito das discussões técnicas com vista à negociação de um potencial Programa ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada”, ou ECF (Extended Credit Facility, na sigla em inglês), mecanismo de financiamento concessional do FMI destinado a países de baixo rendimento.

A delegação do FMI é chefiada por Pablo López Murphy e deverá manter encontros com diferentes ministérios, o Banco de Moçambique, representantes do sector privado e instituições financeiras.

Segundo o ministério, a visita visa realizar “uma revisão aprofundada do desempenho macroeconómico recente, do estado de implementação das reformas em curso, bem como das perspectivas futuras de cooperação técnica e financeira”.

O Governo considera que a cooperação com o FMI é de “capital importância” para a melhoria da gestão macrofiscal do país e para a mobilização de novos recursos externos destinados ao desenvolvimento.

Esta missão surge cerca de três meses depois de o FMI ter confirmado a realização de discussões iniciais com as autoridades moçambicanas sobre um pedido formal de apoio financeiro.

No final dessa visita, em Junho, López Murphy, que também liderou essa missão, afirmou que a equipa discutiu com o Governo “o seu pedido de um programa apoiado pelo Fundo” e que regressaria a Maputo “nos próximos meses” para aprofundar o pedido e os planos de política económica das autoridades.

Na altura, o responsável explicou que as conversações tinham incidido sobre medidas destinadas a restaurar a estabilidade macroeconómica e a sustentabilidade da dívida pública, incluindo o reforço da posição fiscal, a proteção dos grupos mais vulneráveis, o fortalecimento da política monetária e cambial, a preservação da estabilidade financeira e a melhoria da governação.

O FMI considerou então que Moçambique enfrentava uma conjuntura económica desafiante, marcada por crescimento moderado, inflação em aceleração, vulnerabilidades fiscais e da dívida, além de limitações no acesso a divisas. A instituição alertou ainda para riscos associados ao aumento dos preços internacionais dos combustíveis e fertilizantes, bem como aos impactos de choques climáticos recentes sobre a economia nacional.

Antes dessa missão, o Governo já tinha indicado que pretendia discutir com o FMI um eventual Programa de Facilidade de Crédito, enquadrado num conjunto de medidas para reduzir desequilíbrios macroeconómicos e reforçar a consolidação fiscal.

Em Março deste ano, Moçambique liquidou antecipadamente uma dívida de USD 698,6 milhões junto do FMI, correspondente a financiamentos contraídos no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT), operação que o Governo apresentou como um sinal de gestão prudente das contas públicas e de restauração da confiança dos mercados.

©Redactor

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