“Morto” do partido ANAMOLA afinal está hospitalizado
O partido Anamola esclareceu que um dos seus membros na província de Inhambane, que inicialmente deu como morto, está, afinal, hospitalizado, após ter sido agredido por presumíveis agentes da Unidade de Intervenção Rápida.
Numa nota de esclarecimento divulgada pela coordenação provincial de Inhambane, Sul do país, o partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola) afirma que a informação anteriormente anunciada sobre o alegado falecimento de António Siquela (na foto em destaque), coordenador de uma estrutura local [povoado de Massava] no distrito de Zavala, afinal, “não constitui verdade”.
“O membro continua em vida e hospitalizado, depois de uma grave tortura física”, refere o movimento político, fundado pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane.
A coordenação provincial refere que a informação divulgada anteriormente apontava Siquela como vítima de espancamento alegadamente perpetrado por agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), situação que terá motivado a divulgação prematura da sua morte.
“O partido continua acompanhando atentamente a evolução do seu estado de saúde”, lê-se na nota assinada pelo coordenador político provincial do Anamola em Inhambane, Ilídio Armando Cumbe.
A formação política apresenta ainda desculpas pela divulgação da informação incorrecta e compromete-se a continuar a actualizar o público e os familiares sobre o estado clínico do membro.
O caso surge numa altura em que a formação tem denunciado alegados homicídios, agressões e perseguições contra os seus membros.
Em 11 de Outubro, Mondlane denunciou o homicídio de Araújo Tendence, quadro sénior do partido no distrito de Mopeia, província da Zambézia, alegadamente morto a tiro na sua residência, além do rapto e da tortura de outro membro da formação política em Maputo.
Na ocasião, o político afirmou que o número de membros do Anamola mortos desde a fundação do partido aproximava-se de 60.
Já em Setembro, o porta-voz do partido, Alberto Manhique, afirmou que a formação tinha registado pelo menos 57 assassinatos de membros desde Agosto de 2025, além de 436 casos de “violência extrema” contra militantes e estruturas partidárias.
Segundo o Anamola, vários dos casos denunciados foram participados às autoridades, tendo Venâncio Mondlane submetido em maio uma queixa à Procuradoria-Geral da República (PGR), alegando perseguição política contra membros e apoiantes do partido. O político tem associado estes episódios ao clima de tensão que se seguiu às eleições gerais de outubro de 2024, cujos resultados nunca reconheceu.
Estas denúncias sobre assassínio de membros da oposição surgem quando o Tribunal Supremo agendou para 17 de novembro o início do julgamento de Venâncio Mondlane, no âmbito dos protestos após as eleições gerais de 09 de Outubro de 2024, nas quais foi candidato à Presidência da República, não tendo reconhecido os resultados oficiais.
O processo-crime foi movido pelo Ministério Público (MP) no âmbito das manifestações pós-eleitorais, estando o político acusado dos crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo, numa moldura penal que pode ultrapassar 20 anos de prisão efectiva.
Segundo o despacho de acusação do MP, a prova contra Venâncio Mondlane assenta em grande medida nos apelos à contestação, greves, paralisações e mobilização para protestos feitos através de transmissões em direto nas redes sociais.
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