Não será desta vez!

Não será desta vez que a oposição acertou no bicho e, se as divergências persistirem de puxa-puxa e esconde-esconde não será, tão-pouco, nas eleições de 15 de Outubro de 2019 que vai conseguir remover o partido Frelimo do poder.

Para a oposição triunfar sobre a Frelimo não existe nenhuma outra receita para além de uma frente eleitoral única de todos que estejam insatisfeitos com a governação actual com todos os requintes de uma burla orquestrada por mafiosos.

Para que a oposição possa vencer as eleições de 2019, seria importante ou mesmo fundamental que vencesse na maioria dos municípios a fim de, a partir daí, arrancar para esmagar, em definitivo, o partido governamental.

Não foi possível a oposição  vencer devido ao facto da postura de apadrinhamento de que goza por parte de alguns indivíduos que se proclamam como oposicionistas enquanto de oposição nada têm, nem um pingo porque, na hora da verdade, enganam dizendo que podem ganhar uma eleição e fecham as portas de um esforço comum.

Membros da RENAMO em plena campanha eleitoral
Membros da RENAMO em plena campanha eleitoral

Para lograr os seus intentos, eles, os “ajudantes do regime” infiltrados na oposição ensaiam manobras para desestabilizar e desqualificar o outro, aliciando membros influentes do partido com o qual deveria firmar um pacto de mútua colaboração política. Trata-se de uma agenda premeditada para atrasar a saída da Frelimo do poder.

Eles sabem muito bem que uma oposição unida pode ganhar as eleições. Conscientes desse facto, tudo fazem para que o seu “patrão” não seja afastado do poder. Esta é a única explicação lógica e plausível dos desentendimentos entre a Renamo e o MDM – a existência de indivíduos vendidos ao regime da Frelimo.

Contra a corrente, estamos a assistir um verdadeiro pugilato político entre a Renamo, com as mais elevadas responsabilidades políticas conhecidas, e o MDM, o que nos leva a concluir que a oposição, por ser atípica, não está interessada no poder.

Daviz Simango com membros do MDM na Beira
Daviz Simango com membros do MDM na Beira

A oposição quer continuar como uma força secundária, como gato que mia debaixo da mesa dos donos da festa, ainda que tenha todas as possibilidades para se sentar à mesa como um honrado convidado do povo, porém, recusa-se.

A nossa oposição deseja continuar, para sempre, a espreitar da janela enquanto os dirigentes do partido Frelimo comem à fartura e depois, à maneira da antiga oligarquia egípcia, vai, aos lavabos, vomitar para voltar à mesa, a fim de prosseguir a encher os seus bandulhos, num ciclo fustigante e sem limite.

O culpado pela postura do partido Frelimo é a oposição que se bate para manter o seu “adquirido” posto de segundo maior partido. Um partido que não luta pelo poder, não vale para nada, por muito que cante que se bateu pela democracia. Sem alcançar o poder, as suas ideias pela democracia não passam de um monte de mentiras.

O fim último de um partido sério e digno desse nome é lutar pelo alcance do poder de Estado e as eleições são o caminho para tal efeito.

Quando os partidos da oposição se esmurram e se mordem, é claro que chegam só ao precipício e não ao poder, como é o caso presente.

Não será mesmo desta vez, infelizmente, que a oposição vai ser poder.

Edwin Hounnou

  Este artigo foi publicado em primeira mão na versão PDF do jornal Correio da manhã, edição de 05 de Outubro de 2018 na rubrica semanal MIRADOURO

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