Barbaridade por investigar
Barbaridade – O director do Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), organização não-governamental moçambicana, qualificou como barbaridade imagens de vídeo de uma mulher a ser executada por homens com os mesmos uniformes das forças armadas, acusando o Governo de tolerar abusos.
“O vídeo de segunda-feira é claramente uma situação de barbaridade, de violação dos direitos humanos”, afirmou Adriano Nuvunga, em declarações aos jornalistas em Maputo.
Nuvunga assinalou que este caso “é apenas a ponta do iceberg” da violação grosseira de direitos humanos por partes das Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas, recordando que inúmeros episódios de atropelos têm sido referidos em relatórios nacionais e internacionais, nomeadamente no conflito contra insurgentes em Cabo Delgado, norte do país.
“Dá a ideia de que [o Governo] compactua com estas violações dos direitos humanos”, frisou o director do CDD.
Adriano Nuvunga avançou que o caso da mulher abatida a sangue frio por supostos membros das Forças Armadas de Defesa de Moçambique deve ser investigado para que os seus autores sejam judicialmente responsabilizados.
“Não é com comunicados que se resolvem estas situações, resolvem-se com acções concretas”, sublinhou.
As forças armadas, prosseguiu, devem pautar a sua actuação pelo respeito para com as leis nacionais e internacionais que defendem os direitos humanos, principalmente no caso de civis.
Na sequência das imagens, o Ministério da Defesa de Moçambique emitiu na terça-feira um comunicado de imprensa em que considera que o caso deve ser investigado.
O vídeo começou a circular dias depois de a Amnistia Internacional ter pedido às autoridades moçambicanas que investiguem alegados abusos por parte das suas forças em Cabo Delgado, com base noutros vídeos que mostram torturas e vítimas de execuções sumárias.
O ministro do Interior moçambicano disse também, esta semana, que o Governo suspeita haver um núcleo que produz desinformação para denegrir as FDS do país, servindo assim os interesses dos grupos “terroristas” que atacam a província nortenha e que usam as mesmas fardas que os militares para acções de propaganda e subversão.
Os confrontos em Cabo Delgado duram há três anos e estão a provocar uma crise humanitária com mais de mil mortos e cerca de 250.000 deslocados internos.
(Correio da manhã de Moçambique)