Desinvestimento da Vale

Desinvestimento da Vale – O Conselho de Ministros de Moçambique analisou hoje o “desinvestimento” da mineira Vale na exploração de carvão em Tete, avançando que o processo anunciado pela multinacional brasileira em Janeiro está “numa fase avançada”.

“Hoje, o Conselho de Ministros tomou conhecimento do roteiro para concretização deste processo”, declarou Filimão Suazi, porta-voz do Conselho de Ministros, momentos após uma sessão do órgão na Presidência da República, em Maputo.

Em Janeiro, a Vale anunciou que assinou um princípio de entendimento com a parceira japonesa Mitsui, “permitindo a ambas as partes estruturar a saída da Mitsui da mina de carvão de Moatize e do Corredor Logístico de Nacala (NLC, sigla inglesa), como primeiro passo para o desinvestimento da Vale no negócio de carvão”.

Embora sem avançar detalhes, porta-voz do Governo moçambicano disse que as negociações entre a Vale e Mitsui sobre os termos e referências para operação estão numa fase avançada.

Após a saída da Mitsui e até à venda da exploração, a Vale “deverá preservar a continuidade operacional da mina de Moatize e do NLC e continuar com as acções do aumento da capacidade produtiva do projecto, bem como manter todos os compromissos com a sociedade”, acrescentou o porta-voz.

O carvão é actualmente um dos principais produtos de exportação de Moçambique, destinado sobretudo à Ásia.

A Vale aponta como objectivo ser neutra ao nível das emissões de carbono até 2050 e reduzir algumas das suas principais fontes de poluição daquele tipo até 2030.

A transação com a japonesa Mitsui é feita pelo preço simbólico de um dólar norte-americano, mas passam para a Vale todas as despesas e encargos associados – incluindo um saldo em aberto de 2,5 mil milhões de dólares norte-americanos.

Actualmente, a mineira brasileira tem capacidade instalada para produzir 12 milhões de toneladas de carvão por ano, mas tem ficado aquém do valor: em 2018 produziu 11,5 milhões de toneladas e em 2019 produziu oito milhões de toneladas.

Em 2020, o valor deverá ter sido ainda mais baixo devido à quebra na procura de carvão, causada pelo abrandamento da economia global face à pandemia de covid-19.

De Janeiro a Setembro de 2020 (últimos dados disponíveis), a Vale produziu 4,6 milhões de toneladas de carvão em Moçambique.

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