Estirpe indiana da covid
Estirpe indiana da covid – Os pontapés da vida me têm precipitado a, volta e meia, ter de viajar para a vizinha República da África do Sul.
Como ainda não estou imunizado contra a covid-19, religiosamente faço, na véspera de cada viagem, o devido teste que é exigido na fronteira.
Estou em mais uma viagem, a bordo de um destes autocarros de luxo que fazem regularmente o trajecto Maputo/Pretória/Maputo e vice-versa, com escala em Joanesburgo.
Pouco depois de Malhampsene (Matola), a hospedeira pergunta quem fez, ou não, o teste de covid-19 (na expectativa de fazê-lo na fronteira). Eu e mais três passageiros respondemos afirmativamente. Os restantes, perto de duas dezenas, admitem que não fizeram teste.
De seguida a hospedeira alista os que não fizeram teste e recolhe, de cada um deles, 300 randes e os respectivos Passaportes, alegadamente para “agilizar o processo” e evitar longas esperas na fila na fronteira, para realizar o teste.
Seguidamente a moça/hospedeira fotografa os Passaportes e envia todos os dados para o “contacto” na fronteira, que já está a par do “processo”.
Chegados na fronteira, a hospedeira desce momentaneamente do autocarro e pouco tempo depois retorna, já com os “testes”, todos “negativos” e é só fazer o movimento de fronteira, “numa wella”. Pouco tempo depois, “já está”, para todos!
A viagem prossegue e cada um desce no respectivo destino.
Também cheguei ao meu destino. Tratei dos meus afazeres e no dia aprazado estou de regresso à “pátria de heróis”. Na fronteira, mesmo aqueles que fizeram teste há três meses ou mais, não há estresse, é só entrar, desde que tenha Passaporte moçambicano. Aqui o argumento é de que nem que dê positivo para a covid-19, tem que regressar à casa e, já se sabe, aqui ninguém controla ninguém, de verdade.
Já em Maputo, nos meus aposentos, ainda na cama a rebolar numa destas manhãs do nosso Outono, ouço o ministro da Saúde e outros responsáveis deste sector a reiterar que Moçambique está a redobrar esforços para evitar a entrada no país da estirpe indiana da covid, a chamada – “variante B.1.617 -, que se diz já foi detectada na África do Sul e pelo menos outros 43 países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e é tida como a mais brutal e rapidamente mortífera.
Assustei e despertei porque o que vivi não me deixa acreditar nesse paleio.
Despertei, porque afinal estava eu a sonhar, porque, na verdade, a responsabilidade de alguns dos agentes de Saúde Pública, destacados nas fronteiras de Moçambique e noutros locais é irrepreensível.
Ainda bem que tudo isto foi um mero sonho e oxalá não haja nada de real neste meu delírio, porque entendidos dizem que que a B.1.617 é uma das variantes consideradas mais perigosas do que a original do SARSCoV- 2, por serem mais contagiosas, mortais e resistentes a certas vacinas.
REFINALDO CHILENGUE
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 14 de Maio de 2021, na rubrica de opinião denominado TIKO 15
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