Já não se pode PASSEAR à vontade na cidade de Maputo

As pessoas da nossa cidade já não são como antigamente, em que era comum sair de um lugar para o outro e voltar sem que nenhum roubo tenha acontecido, por mais que a pessoa estivesse desatenta.

Hoje em dia é comum sair de casa com um telefone, dinheiro e uma peruca na cabeça – a tal prótese que aumenta a autoestima das nossas manas – e voltar para casa sem nenhum dos três.

Por incrível que pareça, já não se pode passear à vontade pela cidade, porque só um minuto de distracção é suficiente para perder aquilo que por um longo tempo se economizou para comprar.

Saí de casa pela manhã. Como sempre, preparei-me da melhor forma possível e, de repente, coloco a minha prestigiada peruca, cabelo que mandei vir da China, uns cabelos lisos, cumpridos e bonitos que me custaram cinco meses de poupança entre meninas. Coloquei a minha peruca e sai deslumbrante, mais linda que o normal. Algumas pessoas, enquanto eu caminhava com a minha peruca, olhavam para mim admiradas; outras observavam-me com preocupação e diziam a si mesmas “essa peruca não vai durar”.

Subi o meu chapa na paragem de Bagamoyo em direcção à baixa da cidade. Alguém alertou-me: nem vale a pena sentar aí do lado da janela, minha irmã, senão irás ao trabalho com as tuas tranças que se calhar nem estão nas melhores condições.

Fiquei pasmada e pensei: logo hoje que eu queria brilhar com esse cabelo. 

Estando dentro do chapa, algo acontece quando passámos pela Junta, próximo à Faculdade de Engenharia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Vejo um jovem bem trajado prestando atenção no carro que estava em frente à viatura em que eu viajava. Naquela confusão e luta dos passageiros em querer chegar a tempo aos seus locais de trabalho, de repente, uma jovem grita: “cobrador, arrancaram-me o cabelo” e, em poucos segundos, o jovem malfeitor desaparece da minha vista.

Certamente que o jovem ganhou algo através do infortúnio de outrem. Sem opções, a moça prosseguiu viagem até ao seu destino já com a beleza chamuscada, porque já sem aquele seu prestigiado cabelo.

A paragem próxima da Junta é das mais conhecidas pela ocorrência de actos de roubos de telefones, cabelos e até mercadorias. Já se ouviram várias histórias sobre aquele local.

Sabemos que Deus premiou a mulher com um pouco de vaidade a mais, e que geralmente esse gênero não poupa esforços para ficar mais bonita, no entanto, assim como as mulheres não poupam esforços, os ladrões oportunistas também fazem o mesmo.

Quem conhece o mercado Xipamanine e a zona baixa da cidade de Maputo, um dos maiores centros comerciais do país, sabe muito bem dos infortúnios que ocorrem nesses locais, pelo que é necessário que quem vai àqueles locais esteja super-atento para que volte para casa com tudo completo.

Actualmente, as jovens, quando chegam nesses locais, não importa o quão bem vestidas estejam, sabem muito bem como é a zona, por isso tiram a peruca e colocam-na na bolsa, pasta, ou seguram-na. Algumas andam com lenços e capulanas na bolsa para evitar surpresas.

Depois do episódio ocorrido próximo à paragem da Junta, um senhor companheiro ocasional da viagem alertou-me, de novo com um “ti vhonele menina”, o que significa “cuida-te, menina”. Ao desembarcar do chapa, não faltaram alertas do tipo “tire a peruca e coloque-a na bolsa”. E assim o fiz. Dando os meus primeiros passos já na baixa da cidade de Maputo, vi uns jovens com perucas na mão, caminhando, à procura de clientes.

Aqui, já não se anda à vontade nem com o teu próprio bem, nem sabemos o que fazer para acabar com esses roubos”, comentou uma senhora ao lado que caminhava na mesma direcção que eu.

O que nos resta mesmo é “hi ti vhonela” (nos precavermos).

Mulher, se fores forte o suficiente siga o teu bem, pelo menos terás a honra de ser uma das poucas mulheres que recuperam os seus bens adquiridos pelo teu esforço!

NOÉMIA MENDES

Este artigo foi intitulado foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 10 de Agosto de 2023, na rubrica de opinião denominado OPINIÃO.

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