MI defende “solução militar”
O Ministério do Interior (MI) é apontado num relatório de situação (Sitrep), como sendo o órgão do Estado mais aplicado numa “solução militar” do conflito interno com a Renamo – particularidade considerada “muito patente” em acções de persuasão e influência que os seus responsáveis movem internamente.
A Força de Intervenção Rápida (FIR), oficialmente descrita como um corpo
especial de Polícia, mas de facto uma unidade com características tipicamente militares
(organização, treino e equipamento), está na alçada do MI.
O seu emprego em operações de perseguição e aniquilamento da Renamo, é considerado mais maciço que o das Forças Armadas.
O Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE), cuja participação em
campanhas contra a Renamo também é assinalada no referido relatório, nomeadamente no
campo do Intelligence e das “acções especiais”, também se encontra sob tutela directa do MI.
Entre os argumentos invocados pelos adeptos de uma “solução militar”, o mais enfatizado
nas últimas semanas é o de que o chamado braço armado da Renamo está continuamente a
ficar desprovido de condições para se manter activo.
Os sucessivos assaltos/saques a farmácias hospitalares, esquadras de Polícia e depósitos de víveres, praticados por grupos da Renamo, alegadamente em busca de medicamentos, armas/munições e bens alimentares, são avaliados pelo SISE como demonstrativos de que as condições de sobrevivência do movimento estão em declínio.
O relatório admite que pelo menos alguns dos frequentes actos de violência contra a população, incluindo autoridades tradicionais, cuja autoria as autoridades e a imprensa oficial atribuem sistematicamente à Renamo, possam constituir acções encobertas do SISE destinadas a minar a simpatia e a confiança da população no movimento.
Fonte (Africa Monitor)