Mirko Manzoni comenta

Mirko Manzoni comenta – O representante especial do Secretário-Geral das Nações Unidas em Moçambique, Mirko Manzoni, considera “normal” a exigência de André Oliveira Matadi Matsangaíssa, ao Governo para mandar sair das suas posições na região Centro todos os elementos da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), como condição para a saída das matas dos homens armados da Junta Militar da RENAMO (JMR) para se juntar ao processo de Desarmamento Desmobilização e Reintegração (DDR).

A exigência foi apresentada nesta terça-feira em Maputo por André Matsangaíssa, em declarações a um grupo de jornalistas, um evento promovido sem o envolvimento da Resistencia Nacional Moçambicana (RENAMO), segundo o responsável de informação deste partido, Gilberto Chirindza.

“[Essa exigência] É normal, se a Junta mostrar vontade de se desarmar (…) tal como se procedeu quando [o falecido presidente da RENAMO] Afonso Dhlakama declarou uma trégua. Acho que são argumentos que não podem ser utilizados para dizer vamos desarmar ou não. Vamos sair do mato ou não”.

Mas devo ressalvar que “as forças de defesa e segurança de Moçambique tem o compromisso de defender as populações. As forças de segurança estão a fazer o seu trabalho”, disse Mirko Manzoni. 

O diplomata suíço que está a liderar o grupo do DDR disse que Matsangaíssa mostrou interesse em se expressar publicamente e para a sua equipe era “impossível impedir”.

“Ele disse que gostaria de falar sobre o processo de desarmamento dos homens da Junta Militar da RENAMO. Como é impossível evitar, porque está no seu direito falar, porque ele agora é uma pessoa livre, falou”, disse ao Redactor Mirko Manzoni, depois de Matsangaíssa interagir com alguns jornalistas numa estancia turística em Maputo.

Mirko Manzoni negou ter sido ele o organizador da conferência de imprensa de Matsangaíssa, que entrou para a sala por si acompanhado, tendo assacado essa responsabilidade “à família dele”

“Nós como Nações Unidas estamos comprometidos com a segurança do André Matsangaíssa, da mesma forma que acontece com todas as pessoas que aderem ao processo de paz, mas quem preparou o encontro do Matsangaíssa com alguns jornalistas foi directamente a família dele”, repetiu Mirko Mazoni.

Perante a insistência do Redactor, Mazoni referiu que o mais recente dissidente da JMR está em Maputo com alguns membros da sua família, nomeadamente “um tio, um irmão e uma terceira pessoa”.

Mirko Manzoni desmentiu algumas informações segundo as quais Matsangaíssa foi capturado. “Não foi capturado. Não correspondente à verdade que ele foi capturado, como alguns meios de comunicação dizem. Agora estamos a dialogar com os outros para se juntar ao DDR, incluindo Mariano Nhongo, porque essa é a melhor alternativa”

A lista reivindicativa de Matsangaíssa

Eis, as notas principais comunicação de André Matsangaíssa aos órgãos de comunicação social esta terça-feira, em Maputo:

1. Que seja declarada pelo Governo uma trégua definitiva a favor dos integrantes da JMR para que estes possam sair das matas em segurança e voltar ao convívio familiar;

2. Que o Parlamento aprove uma lei de amnistia a favor dos integrantes da JMR e para defender aos militares e aos moçambicanos e garantir uma adesão pacífica ao processo de DDR;

3. Que sejam retiradas da zona Centro os elementos das FDS ali desdobrados “para perseguir a Junta Militar” por forma a permitir os activistas da JMR saiam em segurança;

4. Expressou fé no alcance de uma paz efectiva em Moçambique;

5. Reconhece Ossufo Momade como o Presidente da RENAMO, mas não descarta a possibilidade de, futuramente, concorrer à liderança do partido;

6. Afirma que o seu objectivo é que “não haja divisão entre a RENAMO e a Junta Militar”;

8. Enfatizou que “em breve os moçambicanos saberão onde e como está o líder da JMR”, o major-general Mariano Nhongo.

André Oliveira Matadi Matsangaíssa alega que muitos integrantes da JMR estão nas matas “devido à perseguição das FDS, mas também devido ao desprezo de que a Junta foi alvo por parte da liderança da RENAMO”. Apelou para que todos se foquem no DDR, insistindo na criação de “condições de segurança” para o efeito. (Mirko Manzoni comenta)

REFINALDO CHILENGUE

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