Mzansi Patriotic Forces

Mzansi Patriotic Forces  – Um grupo denominado #Mzansi Patriotic Forces lança um ultimato a todos os estrangeiros que vivem e ou trabalham na África do Sul no sentido de abandonarem este país o mais tardar até ao dia 7 deste Julho, portanto, amanhã, se é que pretendem salvar as suas vidas e propriedades.

Em mensagem em circulação nas redes sociais desde sexta-feira (03Jul2020) e vistas pela Reportagem do jornal Correio da manhã, o movimento diz claramente que “nós chamamos a todos os cidadãos sul-africanos para se levantarem e lutarem contra o fluxo anormal de estrangeiros ilegais no nosso país”.

Uma das mensagens, estampada num postal que aqui reproduzimos na íntegra, diz claramente que “nós apelamos para o encerramento de todos os negócios deles (estrangeiros) nos nossos bairros. Os nossos hospitais públicos e escolas estão superlotados e nossos bairros superpovoados. Apelamos para deportação em massa”.

A mensagem da #Mzansi Patriotic Forces termina instando todos os estrangeiros com ou sem nacionalidade sul-africana a saírem dos bairros/país até às 23H59 de 7 de Julho de 2020.

Mzansi é uma expressão xhosa (uma das línguas predominantes da terra de Nelson Mandela) e muito usada principalmente por jovens urbanos, justamente para se referir ao seu país, pelo que numa tradução livre podemos dizer que o grupo dinamizador da iniciativa programada para esta terça-feira se chama Força Patriótica da África do Sul.

Em baixo da mensagem aparece uma fotografia de pessoas sentadas e uma de pé, com um pau nas mãos. As pessoas parecem estar numa reunião e no fundo do postal está escrito “7 de Julho Soweto Thokoza Park”, o que pressupõe que no dia indicado haverá encontro para discutir assunto de estrangeiros na África do Sul.

Muitos sul-africanos têm manifestado intolerância crescente contra estrangeiros, alegando que são autores de crimes violentos, que incluem assassinatos e venda de drogas nas comunidades.

Curiosamente, mesmo com as fronteiras oficialmente encerradas, há relatos de entradas ilegais de estrangeiros, incluindo moçambicanos, em território sul-africano, onde muitos acreditam estar as melhores condições de vida relativamente aos seus países de origem.

Em 2008, registou-se violência contra estrangeiros.

Mais de 60 estrangeiros, particularmente de origem africana, incluindo moçambicanos, foram brutalmente assassinados em vários bairros e cidades.

Sete anos depois, ou seja, em 2015, houve outra onda de violência que matou pelo menos sete pessoas, também incluindo moçambicanos.

Em 2008, um imigrante moçambicano do distrito de Homoine, província meridional moçambicana de Inhambane, foi queimado vivo. As imagens da sua agonia percorreram o mundo. Várias dezenas de moçambicanos perderam quase tudo e regressaram à casa. Em 2015, outro cidadão moçambicano da província de Sofala (Centro) foi brutalmente assassinado em Alexandra, arredores de Joanesburgo.

Os assassinos foram apanhados, julgados e condenados a penas de prisão.

Entretanto, casos de ataques, pilhagens e perseguição de estrangeiros africanos continuam a registar-se um pouco por várias zonas da África do Sul.

O governo viu o postal do # Mzansi Patriotic Forces e já reagiu condenando vigorosamente o incitamento à violência e apelando aos sul-africanos a desistirem de qualquer acção contra as leis do país.

Em comunicado emitido pelo Gabinete de Informação e Comunicação (GCIS), equivalente ao GABINFO em Moçambique, o governo apela aos sul-africanos a serem campeões de coexistência pacífica e de boas relações com todos os que vivem na África do Sul. Insta as forças da lei e ordem a tomarem acções necessárias contra os responsáveis da agitação.

O comunicado do governo diz que qualquer ataque a propriedades e negócios de estrangeiros “não reflecte aquilo que nós somos como pais e viola os valores que nos corporizam”.

O governo sul-africano sempre recusou-se reconhecer que há xenofobia na África do Sul, insistindo que é criminalidade em que alguns sul-africanos se aproveitam da vulnerabilidade de estrangeiros.

A ameaça da # Mzansi Patriotic Forces pode ser ignorada, mas reflecte a intolerância crescente de sul-africanos para com estrangeiros nas comunidades, mesmo em tempo de coronavírus em que as fronteiras estão encerradas.

A África do Sul encerrou as suas fronteiras em final de Março passado no âmbito das medidas de prevenção de coronavírus.

A África do Sul está já perto dos 180 mil casos cumulativos positivos de COVID-19 e pouco mais de três mil óbitos.

Os serviços dos transportes públicos da cidade de Pretória foram suspensos por tempo indeterminado desde sexta-feira depois de alguns funcionários terem acusado positivo a coronavírus. As autoridades sanitárias vão desinfectar massivamente todas as instalações dos serviços e autocarros.

THANGANI WA TIYANI, CORRESPONDENTE NA ÁFRICA DO SUL

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