Um olhar microscópico sobre a relação polícia comunidade — NOEL MANHONGA JR
A relação entre a Polícia e a comunidade é, indiscutivelmente, uma das mais nobres e estratégicas parcerias para a consolidação da ordem, da paz social e do exercício pleno da cidadania. Não se constrói segurança pública sem a participação activa do cidadão, assim como não se garante tranquilidade social sem instituições que defendam o Estado de Direito.
Num Estado democrático como o nosso, esta simbiose deve ser alimentada pelo respeito mútuo, diálogo constante e confiança recíproca. A Polícia representa a face mais visível do poder do Estado junto das comunidades, e esse poder deve ser exercido com equilíbrio, empatia e profissionalismo — não com força bruta, mas com inteligência emocional e respeito pelos direitos humanos._
É importante reconhecer que a convivência entre Polícia e comunidade enfrenta desafios naturais, derivados de tensões sociais, desigualdades e, por vezes, comportamentos excessivos ou intolerantes de ambos os lados. Contudo, tal como numa relação conjugal saudável, o diálogo contínuo, a escuta activa e a correção dos erros são fundamentais para evitar rupturas traumáticas.
Não podemos normalizar actos de violência, nem de parte da comunidade contra agentes da lei, nem por parte das forças policiais contra os cidadãos. A justiça não pode ser substituída pelo clamor da vingança. Linchamentos, retaliações e execuções sumárias só nos afastam do ideal de uma sociedade moderna, civilizada e orientada por valores constitucionais.
Moçambique precisa de caminhar rumo a um modelo de segurança participativa, em que os líderes comunitários, associações juvenis, instituições religiosas, o Governo local e os próprios cidadãos contribuam para uma cultura de paz e responsabilização. A juventude moçambicana, em particular, deve ser parte activa da solução — propondo, fiscalizando e colaborando com o sector da ordem e segurança pública.
Num tempo em que o Presidente da República, Sua Excelência Daniel Francisco Chapo, reafirma o compromisso com a governação inclusiva, responsável e virada para resultados tangíveis, urge alinhar também os sectores da segurança com esta visão. A Polícia deve ser uma extensão do Estado próximo do cidadão — um protector e não um opressor.
Críticas são legítimas e fazem parte da democracia, mas mais legítimas ainda são as propostas construtivas. Precisamos de reformas, de formação contínua dos agentes, de maior comunicação comunitária e, sobretudo, de uma cultura de responsabilização que respeite a vida humana como o bem jurídico supremo.
Não se trata apenas de corrigir os erros do passado, mas de desenhar um futuro onde Polícia e comunidade caminhem lado a lado — pela segurança, pelo desenvolvimento e pela unidade nacional.
NOEL MANHONGA JR. *
* Político e escritor
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 05 de Setembro de 2025, na rubrica de opinião.
Caso esteja interessado em passar a receber o PDF do Correio da manhã favor ligar para 844101414 ou envie e-mail para correiodamanha@tvcabo.co.mz
Também pode optar por pedir a edição do seu interesse através de uma mensagem via WhatsApp (84 3085360), enviando, primeiro, por mPesa, para esse mesmo número, 50 meticais.
Gratos pela preferência
Para ver a revista Prestígio de Julho/Agosto de 2025 clique este link:
Siga nos no Facebook e partilhe