Moçambique: o Turismo que o Governo insiste em ignorar — RAFAEL NAMBALE
Moçambique carrega um dos patrimónios turísticos mais impressionantes de África: 2.700 km de costa que deslumbram qualquer visitante, ilhas dignas de cartões-postais, áreas de conservação com fauna e flora de classe mundial, parques naturais renascidos, uma cultura vibrante e um povo cuja hospitalidade é, em si, um activo económico.
O turismo, ao contrário de recursos minerais e hidrocarbonetos, não se esgota — multiplica-se. É um sector capaz de gerar riqueza sustentável, emprego massivo e desenvolvimento territorial equilibrado. E, no entanto, continua a ser tratado como um parente distante no projecto nacional.
O mais perturbador é que esta negligência acontece num momento em que deveríamos assistir à sua grande afirmação política. O Presidente Daniel Chapo governou Inhambane, província que é símbolo vivo da força turística do país. Ali, a economia respira turismo. Ali, todos sabem que as praias, o mergulho, a animação cultural e a hospitalidade popular não são apenas beleza — são dinheiro, empregos, futuro. Por isso, criou-se no país inteiro a expectativa legítima de que, ao assumir a Presidência, Chapo colocaria o turismo no centro das prioridades nacionais.
Mas o que vemos é exactamente o oposto. O turismo foi mais uma vez empurrado para a periferia das políticas públicas. Falta visão estratégica, falta liderança, falta um plano nacional coerente, falta audácia para transformar potencial em progresso real. E esta ausência de estratégia não é um detalhe: é uma oportunidade perdida, repetida há décadas.
Enquanto países como Cabo Verde, Ruanda, Ilhas Maurícias ou Tanzânia constroem economias inteiras em torno do turismo, Moçambique permanece preso a hesitações, burocracias, erros de governação e prioridades distorcidas. Não há promoção internacional séria, não há incentivos competitivos para investimento, não há melhoria substancial das infraestruturas, não há uma narrativa nacional que coloque o turismo como motor do desenvolvimento.
É um paradoxo doloroso: somos um dos países mais ricos em atractivos e um dos mais pobres em resultados. Somos um destino que o mundo deseja conhecer, mas que o próprio governo insiste em deixar na sombra. O turismo poderia tirar Moçambique da lista dos países mais pobres do mundo — e isso não é exagero, é constatação. Poderia diversificar a economia, criar oportunidades para jovens, trazer divisas, revitalizar comunidades costeiras e rurais, e fortalecer a imagem internacional do país.
Mas nada disso acontecerá enquanto o turismo continuar a ser tratado como um sector “bonito”, mas não essencial; como paisagem, e não como política económica; como discurso, e não como estratégia de desenvolvimento.
Moçambique precisa urgentemente de um governo que compreenda aquilo que o mundo inteiro já percebeu: o turismo é uma mina infinita, é uma indústria de futuro, é um caminho seguro para o crescimento económico sustentável. O país está pronto. O povo está pronto. O mercado internacional está pronto.
O que falta — tristemente — é visão política: Ministério do Turismo
RAFAEL NAMBALE *
* Colunista e observador político moçambicano
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 08 de Dezembro de 2025, na rubrica de opinião.
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