O refúgio das manas
“Minha consciência é escrava da palavra de Deus”, disse uma idosa, com rosto amargurado.
Vivemos situação de preguiça por conta própria – reclamava a avozinha, recordando os tempos por si vividos, mas consciente que o evoluir da ciência é aceitável a todos níveis e traz o crescimento significativo por forma a estabelecer o bem-estar da sociedade.
Ontem, após compra do amendoim, este era mexido no pilão para retirar as cascas, a posterior colocado na peneira para catar o bom do qual era pilado e confeccionado.
O famoso “libhisivhisi” cujo língua oficial é “caril de amendoim”, que misturado com frutos do mar ou mariscos traduzia-se a um sabor excepcional. Era adorável por qualquer um (residente ou visitante), reconhecido como prato saudável e cheio de nutrientes.
Com a produção da máquina de moer este produto, automaticamente é levado à panela com as respectivas cascas, obrigando as nossas irmãs (esposas) a não demostrarem a razão do ser real em seus lares.
As máquinas, por vezes são lubrificadas e reparadas na hora, cuja experiência é feita com produto (amendoim) de qualquer um de Nós.
Vários são os casos que a fila se torna longa em mercados para ter o amendoim moído, ao invés de pilado, o que levou o pilão a seu sumiço.
Orgulham-se os que têm noção dos tempos que se foi, tal que viam as suas noras exercerem actividades de relevo para melhor compensação na busca desta para alimentar a família.
Desaparece o pilão…, por conseguinte o pilador.
Por onde anda o ralador, do qual o coco é metido em uma máquina para que se rale, cuja mesma raspa não só o necessitado para sugar o leite e colocá-lo em determinada panela, como também o respectivo cafulo que do alimento preparado cria espaço para infecção de certos tecidos no organismo humano.
Mesmo para reflexão, afinal comer bem é cuidar da saúde, tanto do corpo, quanto da mente, precisamos comer para nutrir o corpo e não para preencher o estômago.
O amendoim não é escolhido, enquanto o proprietário da banca vende em copitos, o cliente compra pagando com a razão do processamento do mesmo, caindo este em uma tigela ou bacia que de seguida entregue ao comprador sem retirar o que estiver em mau estado.
Assim vai a vida!
Hoje quem pilota o fogão!?!, são as “secretárias”, vulgo (empregadas) Estas, por vezes trabalham como máquina à vapor, não têm final de semana. Mesmo estando a patroa em casa, apenas orienta, porque de fogo nada sabe. Há que reflectir para o melhor servir.
Em tempos, nos lares as mulheres exercitavam naturalmente, criando condições para sustento da família, através do pilão e ralador.
“Aproveitavam a arte milenar do pilão, com paciência e ritmo, para liberar os aromas e sabores autênticos dos seus ingredientes”.
A lata na cabeça e embrulho de roupa em capulana era levado ao poço para se lavar, mas estes foram colocados em museus para apenas uma lembrança dos tempos lá idos ou desenhados em páginas dos livros para mostrar a geração actual o quanto era o (sofrimento) aceitável para melhor servir.
Precisamos reflectir sobre as formas de vida levadas ontem e hoje para o nosso bem-estar.
Lembremos que “das agruras trituradas no pilão do desalento, varrem-se os farelos e sobra o lamento espalhado com a vassoura do tempo!…”
Este artigo intitulado foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 19 de Junho de 2025, na rubrica de opinião denominado OPINIÃO
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