A falha estratégica da assessoria de Mondlane e o verdadeiro caminho para a consolidação política
A recente decisão da assessoria do presidente interino do ANAMOLA de redigir uma carta para participar do chamado “diálogo político” revela-se um erro estratégico grave, que expõe mais fragilidade do que força.
Num momento em que a prioridade deveria ser o fortalecimento das massas, a estruturação interna do partido e a preparação séria para o congresso, tal gesto soa como uma concessão desnecessária e até humilhante.
Ao aceitar as provocações segundo as quais “Venâncio não participa porque não tem partido”, a assessoria acabou por reforçar a narrativa dos adversários, em vez de desconstruí-la com firmeza e estratégia.
O tal diálogo político, longe de representar um espaço genuíno de transformação, mostra-se mais como entretenimento institucional, uma encenação política que se equipara ao vazio do projecto de lei do GABINFO: barulho, aparências e pouca substância.
É preciso ter clareza: a verdadeira batalha de Mondlane não se trava em mesas redondas repletas de sugestões sem peso vinculativo, mas sim na construção sólida de uma máquina partidária. Num diálogo desse tipo, as opiniões lançadas podem ou não ser acolhidas, dependendo da conveniência do poder instalado. Já no seio do partido, cada passo dado traduz-se em organização, consolidação e na certeza de uma vitória que não depende da boa vontade alheia.
Mondlane não deve se perder em “festas políticas” organizadas para legitimar um sistema que se mantém intacto. Sua responsabilidade maior está em investir energia na base, destacando pessoas competentes para as províncias, montando estruturas de funcionamento reais e duradouras, capazes de sustentar o partido para além do congresso. Sem uma rede enraizada no território nacional, todo discurso corre o risco de se esvaziar diante do primeiro ataque.
O aforismo popular “não há pão para maluco” deve servir de guia. Não faz sentido mendigar espaço em arenas controladas e manipuladas quando existe a possibilidade de criar o próprio espaço de legitimidade. É na consolidação interna que reside a força política; é no partido que se cultiva a disciplina, a estratégia e a convicção da vitória.
A história mostra que os grandes líderes se destacaram não pela pressa de marcar presença em palcos alheios, mas pela determinação em erguer suas próprias estruturas, sólidas e inabaláveis. Mondlane deve aprender essa lição: o futuro do ANAMOLA não depende do convite de ninguém, mas da sua própria capacidade de se organizar e projetar-se como alternativa real de poder.
O diálogo político, neste contexto, não passa de uma cortina de fumaça. Já o congresso e a construção das bases partidárias representam o verdadeiro campo de batalha. E é nesse terreno que se decide quem terá, de fato, o pão para repartir com o povo.
JÚNIOR RAFAEL OPUHA KHONLEKELA
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