Chefe de Estado distinguido como defensor de sistemas de alerta

O Presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, foi distinguido esta segunda-feira em Genebra, na Suíça, pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM), como “Defensor Eminente dos Sistemas de Alerta Multirriscos”.

A distinção de Chapo aconteceu após discursar como orador principal no painel de alto nível sobre a “Iniciativa de Aviso Prévio para Todos e o Papel dos Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais”, a convite da secretária-geral da organização, Andrea Saulo.

Acrescentou que o reconhecimento significa que Moçambique tem uma liderança cujas ações são apreciáveis em todo o mundo. 

“Nós quisemos reconhecer o Presidente por esta abordagem importante para o continente, [mas] para Moçambique também”, disse Saulo, acrescentando que o que a OMM pode fazer por Moçambique é facilitar os mecanismos de acesso ao financiamento internacional, permitindo ao país a ampliar as suas redes de observação meteorológica e hidrológica, bem como os recursos humanos. 

“Nós estamos fazendo todo o possível para que os países da região possam ter mais capacidade para atender as necessidades dos seus povos”, referiu. 

Revelou também que o país beneficia de cerca de nove milhões de dólares, através do mecanismo SOFF (Mecanismo de Financiamento de Observações Sistemáticas), destinados a reforçar a rede nacional de observação meteorológica.

Na sua intervenção no congresso extraordinário da OMM, na Suíça, Chapo referiu que Moçambique está a instalar radares meteorológicos que integrarão a Rede Básica de Observação Global (GBON) da Organização Meteorológica Mundial, para reforçar a capacidade de prever e monitorar fenómenos extremos em tempo real, com o apoio do mecanismo SOFF.

“Moçambique está, igualmente, a intensificar os seus esforços para incorporar a digitalização e a inteligência artificial na modernização dos sistemas e processos de aviso prévio precoce”, referiu.

Apesar disso, o Presidente moçambicano reconheceu as limitações de Moçambique para financiar modelos resilientes às alterações climáticas, apelando ao reforço da mobilização de novas parcerias para um mecanismo que seja “inovador e acessível”.

“O financiamento climático de Moçambique é ainda limitado, o nosso orçamento do Estado, com restrições próprias de um país ainda em desenvolvimento, não é suficiente para financiar um modelo de crescimento resiliente às alterações climáticas globais”, admitiu Chapo.

Para fazer face à situação, o chefe de Estado defendeu a mobilização de novas parcerias públicas e privadas, “mecanismos de financiamento inovador e acessível e a reafirmação de uma necessidade partilhada” entre nações e instituições multilaterais para atender às alterações climáticas, que ciclicamente afetam o país africano.

Moçambique é considerado um dos países mais vulneráveis e severamente afetados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre outubro e abril.

Só entre dezembro e março, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024. O número de ciclones que atingem o país “vem aumentando na última década”, assim como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em março.

Os fenómenos meteorológicos extremos provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique, entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados anteriores do Instituto Nacional de Estatística.

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