“Mais de 20” mineradores artesanais mortos em Manica

“Mais de 20” mineradores artesanais já morreram na província de Manica, Centro de Moçambique, região muito rica em recursos minerais, com destaque para o ouro, disse ao jornal Redactor fonte do Governo.

Silva Manuel, Director Provincial do Serviço de Infraestruturas de Manica, diz ter fé de que os dados disponíveis podem pecar por defeito, alegadamente porque muitos mineradores informais simplesmente evitam reportar ocorrências de acidentes, principalmente quando estas forem fatídicas, “porque cientes de que actuam à margem da lei”.

O mais recente incidente mortal ocorreu em Janeiro deste 2025 nas minas de Nhampassa-Bárue, distrito de Manica e o caso do posto Administrativo de Amatongas, distrito de Gondola-Manica, no qual morreram mais de dez garimpeiros soterrados.

Poluição de rios

Para além de resultar em danos pessoais de diversa índole, a mineração artesanal está a causar estragos de difícil reparação que afecta a saúde pública na região, com destaque para a poluição de rios.

A nossa fonte apontou as bacias dos rios Revué, Luzite e Púnguè como das mais afectadas pela poluição causada pela actividade anárquica dos garimpeiros em Manica, mesmo sem avançar com o número da medição própria da turbidez.

“O nível é alto. Tínhamos cerca de trezentos e tal NTU [Unidade Nefelométrica de Turbidez]. Depois baixou para cento e noventa e tal, neste momento não posso dizer até que nível estamos, mas a tendência é de redução, mas continuamos com preocupações porquê ainda é muito elevado”, detalhou Silva Manuel.

O responsável referiu que o número de garimpeiros activos está em franco crescimento em Manica, com o consequente incremento da mineração artesanal e seus impactos nefastos.

“Devo dizer que o número de mineradores artesanais e informais cresce a olhos vistos de tal sorte que é impossível indicar números exactos. Nalguns casos só damos pela sua presença quando efectuamos actividades inspectivas rotineiras, porque contornam todos os nossos esforços para registá-los”, deplorou a nossa fonte, que assegurou que o seu sector não desarma e tudo faz para controlar a actividade.

Muitas pessoas, maioritariamente jovens e até adolescentes, encontram no garimpo uma fonte fácil [mas muito ariscada] de subsistência, dada a fraca oferta de oportunidades de emprego formal em Manica e noutras províncias que a mãe natureza as bafejou com recursos minerais.

Os níveis de poluição dos rios em Manica irritaram o chefe de Estado de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, aquando da sua visita àquela divisão territorial em Maio deste ano, ao ponto de lançar severas advertências aos protagonistas destas práticas nefastas.

“Por causa do garimpo, todos os rios estão poluídos, não queremos empresas que exploram ouro e não respeitam a lei. Neste momento que estamos a falar suspendemos cinco empresas que estão a cometer este crime”, disse Chapo.

O Presidente da República de Moçambique avisou que o seu Executivo vai prosseguir com esforços sem contemplações para acautelar a preservação do Meio Ambiente, vincando, inclusivamente, que “se as empresas continuarem a poluir o ambiente, até as maquinas que estão lá, vamos recolher até vender em hasta pública”.

ONÓRIO ENCARNAÇÃO, correspondente em Manica

Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 25 de Junho de 2025.

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