O lamento dos nativos e residentes de Moma
Os nativos e residentes do distrito costeiro de Moma, Sul da província setentrional moçambicana de Nampula, denunciam um alegado desinteresse por parte do governo local, provincial e central para a resolução de vários problemas que apoquentam aquela divisão territorial do país.
Dentre os desafios elencados pelos residentes daquele distrito avultam a degradação de vias de acesso, falta de serviços básicos tais como hospitais e instituições de ensino à altura e a quase nula rede de abastecimento de água potável.
Com os pescadores em evidência na apresentação das lamúrias de nativos e residentes de Moma alegam que sendo este um distrito eminentemente turístico, até merece ascender ao estatuto de vila municipal.
Moma faz parte dos distritos turísticos da província de Nampula, cujo cartão de visitas são as lindas praias, a gastronomia, expressões culturais (vestimentas de capulanas e mussiro nas caras das mulheres) uma identidade que transcende fronteiras e exalta a sua região.

Adicionalmente, o distrito de Moma é rico em recursos naturais, razão pela qual três empresas multinacionais de exploração dos recursos naturais estão a operar na região, sem, no entanto, honrarem com as suas obrigações inerentes à responsabilidade social, o que, ciclicamente, gera alguma tensão neste ponto do país.
Para ilustrar o alegado estado de abandono da região, os naturais e residentes de Moma apontam a degradação acentuada na única estrada que dá acesso ao distrito, a partir da cidade de Nampula, capital da província mais populosa de Moçambique.
Nas lindas praias de Moma, encontramos Genito Gabriel, pescador há sete anos, que afirma categoricamente que o distrito de Moma dispõe de potencial invejável para atrair investidores, mas “o governo local continua dorminhoco”.
“Tudo vai de mal a pior neste distrito, porque temos um governo que não se preocupa com os problemas do povo. Não temos quase tudo: estradas, água, hospitais entre outros. Quem pela primeira vez escalar esta região pode pensar que está a entrar num vilarejo, enquanto três empresas multinacionais estão a operar a bel-prazer”, lamentou, Genito Gabriel.
O pescador apela ao governo provincial a encontrar fórmulas para resolução de vários problemas que afligem a população daquele distrito cuja sede clamam para que seja elevada à categoria de município.
“Queremos a intervenção do governo provincial na resolução dos crônicos problemas tais como vias de acesso, água potável entre outros, porque o daqui, já demonstrou incapacidade. E sonhamos em ter uma vila municipal, porque não faz sentido que haja multinacionais explorar e nós continuamos pobres”, exigiu o nosso entrevistado.
Abdala Amisse, é outro pescador com quem interagimos. Exercendo a sua actividade há mais de três anos, o anzoleiro diz estar a enfrentar dificuldades no escoamento do pescado à cidade de Nampula [215 quilómetros], devido a degradação da via de acesso, razão pela qual se percorre em aproximadamente dez penosas horas.
“Estamos a sofrer com a falta de estradas condignas. Para transportar o nosso produto à cidade de Nampula, pagamos avultadas somas de dinheiro, facto que compromete as nossas receitas e dificulta o sustento familiar, apesar das promessas feitas pelo governo para a melhoria de condições de vida, mas nada surtiu efeitos”, acrescentou Amisse.
Governo distrital reconhece

O director distrital das infraestruturas do distrito de Moma, Juvenato Bernardo, reconhece a legitimidade das lamúrias e refere que o Executivo local está à busca de soluções
“Neste período de Verão [que começa já em Outubro e vai até Abril e é caracterizado por chuvas intensas e ciclones], a transitabilidade rodoviária será de um martírio acrescido”, adverte o governante.
O dirigente afirmou que o seu governo está a intervencionar algumas vias e a melhorar a provisão de serviços básicos, destacando como evidencia as obras em curso na estrada Chalaua/Piqueira.
Quanto ao abastecimento de água, Juvenato Bernardo fez saber que foram abertos 46 furos de água, que estão a beneficiar algumas comunidades de Impuitini, Piqueira e Jagoma.
“Este é um marco indelével para a população do nosso distrito, embora prevaleça algumas dificuldades. O governo vai continuar a trabalhar para solucionar os problemas da população”, assegurou a fonte, que pede a colaboração de todos para o alcance dos desígnios desenvolvimentistas de Moma.
ELINA ECIATE (texto e fotos)
Este artigo intitulado foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 12 de Setembro de 2025.
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