Até quando?— JÚLIO CUMBE

Inundações recorrentes e a urgência de políticas públicas eficazes

Até quando? ” — Eis a pergunta que se impõe como provocação à reflexão em torno das inundações e cheias que, ano após ano, semeiam luto e desgraça no seio das famílias. Paradoxalmente, este período é também marcado pelo triunfalismo de imagens e discursos oficiais, como se a exposição mediática bastasse para mitigar a dor e a perda de vidas humanas.

Vale-nos, afinal, de algo a mediatização?

Os Governo Central, provincial e municipal demonstram, na prática, pouca vontade política para resolver de forma estrutural o problema das inundações, mantendo-se insensíveis à perda recorrente de vidas humanas. Por que razão, paralelamente à mobilização de recursos para medidas emergenciais, não se investe de forma séria em soluções definitivas?

Será este um destino anual inevitável?

O governo não deve eximir-se do seu papel de planificar o território, mapear as zonas de risco e controlar a construção de habitações em áreas propensas a inundações. A recorrente justificação de que se trata de zonas impróprias para habitação revela-se frágil quando se observa que, noutras latitudes, políticas públicas eficazes transformaram riscos em desafios superáveis. Ou seja, a alegação de que se trata de espaços impróprios para habitação não convence quando a ausência de alternativas dignas empurra os cidadãos para esses mesmos locais.

É tempo de o Governo abandonar a estratégia do triunfalismo e da excessiva mediatização das suas acções. O que é verdadeiramente bem feito não precisa soar alto; fala por si. A acção pública deve ser avaliada pelos seus resultados concretos e não pela intensidade da sua exposição mediática.

Há quem defenda que os munícipes também são culpados. Não me eximo de aceitar, em parte, essa leitura, pois a escolaridade e o conhecimento influenciam escolhas conscientes, como o local onde se constrói uma habitação, mesmo conhecendo os riscos associados. Contudo, nunca se pode perder de vista que o papel do Governo e dos municípios é, também, o de disciplinar, orientar e proteger o cidadão.

Até quando?

Uma economia já débil é ainda mais sufocada pela interrupção da Estrada Nacional Número Um (EN1) anunciada “com prazer”, comprometendo a circulação de bens e pessoas. Por conseguinte, agravando o custo de vida do pacato cidadão 

É chegada a hora de ousar, com iniciativas robustas e sustentáveis, que resolvam de forma estrutural o problema das inundações recorrentes. Porque, enquanto persistirem estas fragilidades, o desenvolvimento continuará a ser apenas uma promessa adiada.

JÚLIO S. CUMBE

Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 14 de Janeiro de 2026.

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