Não basta querer empreender — JÚLIO CUMBE

Em Moçambique é visível e inegável que são muitas as nuances que tornam o empreendedorismo um nado morto. Como avança Nambale (Dezembro, 2025, in jornal Redactor), o empreendedorismo juvenil em Moçambique, tem de enfrentar a burocracia excessiva, custos elevados de legalização, crédito bancário inacessível, ausência de acompanhamento técnico e fiscalidade precoce sobre negócios ainda imaturos.

É frequente encontrarmos pequenos negócios que não prosperam não por falta de esforço, mas por falta de capacitação. Muitos jovens têm vontade, iniciativa e criatividade, porém carecem do saber fazer necessário para transformar uma ideia num empreendimento sustentável. A formação técnico-profissional corrige esse desnível e devolve ao empreendedor o domínio do seu próprio caminho.

Outra questão essencial é que a formação técnico-profissional actualiza conhecimentos. O mundo do trabalho está em constante movimento. Novas tecnologias surgem, novas ferramentas aparecem, e quem não se actualiza fica para trás. Neste contexto, a formação deixa de ser apenas uma etapa e passa a ser uma exigência permanente.

Um trabalhador formado torna-se mais dinâmico, mais produtivo, mais competitivo e mais preparado para se adaptar às exigências do mercado. Estas características não surgem por acaso, mas resultam da combinação entre teoria e prática, entre aprendizagem e aplicação concreta do conhecimento.

Coloca-se, então, a pergunta: é a formação técnico-profissional uma aposta válida para a juventude?

Sem dúvida alguma. Se considerarmos a empregabilidade mais rápida, o desenvolvimento de competências práticas, a aquisição de noções de gestão de negócios e a capacidade de adaptação às mudanças, não resta espaço para dúvida.

A formação técnico-profissional é uma aposta sólida, estratégica e inteligente para qualquer jovem que queira melhorar a sua vida e ampliar as suas oportunidades. Mais do que isso, é uma aposta no espírito de aprendizagem contínua, que deve guiar-nos sempre. Aprender não pode ser visto como um evento isolado, mas como um processo constante que nos prepara para um mundo em transformação.

Diante disso, importa reconhecer que o discurso do empreendedorismo, quando desacompanhado de capacitação, torna-se vazio e ilusório. Não basta querer empreender. É preciso saber fazer, saber gerir e saber adaptar-se. Sem formação, o esforço individual perde força e o empreendedor fica entregue à sua própria sorte.

JÚLIO CUMBE

Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 26 de Dezembro de 2025.

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