Joaquim Chissano distinguido pela décima vez como doutor `honoris causa´

O antigo Presidente de Moçambique Joaquim Alberto Chissano recebeu hoje, em Maputo, o se décmo título de doutor `honoris causa´.

O título hoje atribuído pela Universidade Joaquim Chissano (UJC) foi justificado pelo “papel na gestão de conflitos em Moçambique” que o galardoado desempenhou, argumento de que o segundo chefe de Estado de Moçambique desempenhou de forma “honorífica e indelével” na diplomacia e resolução de conflitos no país.

O título, entregue no âmbito dos 50 anos da independência de Moçambique, comemorado em 25 de Junho, e o décimo que o homem que nasceu em 1939 em Malehissa, Chibuto, província de Gaza, já recebeu.

A homenagem foi proposta pela Escola Superior de Relações Internacionais, unidade da Universidade Joaquim Chissano (UJC), que o antigo chefe de Estado, de 1986-2005, apadrinha desde 2018, em reconhecimento ao seu papel na diplomacia e resoluções de conflitos no país.

No evento, que contou com a participação do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, e várias personalidades, políticos e governantes Governo e da sociedade civil nacional, aquela universidade reconheceu a carreira e os valores do antigo Presidente, destacando a “humildade e sabedoria” com que negociou a paz para “acabar com uma guerra que durou 16 anos”.

“A atribuição do título honorífico é em reconhecimento ao percurso meritório de sua excelência Joaquim Chissano na diplomacia, resolução de conflitos, pacificação e desenvolvimento económico e social na arena nacional e internacional”, disse o zambeziano João de Barros, reitor da UJC.

Chissano ascendeu à Presidência de Moçambique em 1986, na sequência da morte, num acidente de aviação, de Samora Moisés Machel, primeiro Presidente moçambicano pós-independência, tendo chefiado o Estado durante os últimos oito anos do regime monopartidário da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, partido no poder desde 1975, ano da independência). Seguiram-se 10 anos correspondentes a dois mandatos consecutivos resultantes de eleições gerais, após a abertura do país ao pluripartidarismo.

Já no final do seu primeiro mandato, o antigo dirigente foi um dos proponentes do Acordo Geral de Paz, assinado em Roma, em 1992, com Afonso Macacho Marceta Dhlakama, líder histórico da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), principal partido da oposição na altura, um instrumento que permitiu o cessar-fogo de uma guerra civil que durou 16 anos em Moçambique, opondo o exército governamental e a Renamo, além de abrir espaço para as primeiras eleições, dois anos depois.

Para Barros, Chissano “desenhou” a matriz democrática que guia os passos actuais do país, ficando registado na “memória histórica” e em “letras douradas” o seu contributo na luta pela liberdade, direitos humanos e desenvolvimento humano, acções que transcendem o país.

Arnaldo Massangaie, director da Escola Superior de Relações Internacionais, disse na ocasião que esta distinção é resultado dos marcos deixados pelo antigo chefe de Estado na política nacional, que incluem a sua “marca histórica indelével”, a “longa e excecional” folha de serviços públicos na diplomacia e na resolução de conflitos, “que beneficiou várias comunidades, tanto em Moçambique, como além-fronteiras”.

O responsável sublinhou ainda que estas premissas enquadram-se em três momentos distintos, “mas interconectados” do contributo político, económico e social de Chissano, com a sua liderança “excepcional” no processo de estabelecimento de infraestrutura institucional da diplomacia do Estado, na qualidade de primeiro moçambicano a ocupar o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros no país, de 1975 a 1985.

O segundo e terceiro momento, frisou, constituíram-se na “liderança e consolidação” de Joaquim Chissano enquanto Presidente da República e no desenvolvimento de uma “acção diplomática excecional” enquanto antigo dirigente, o que foi “determinante” para a resolução de conflitos no país.

Entre 1977 e 1992, Moçambique viveu uma guerra civil, também conhecida como a ‘Guerra dos 16 anos’, que opôs o exército governamental e a Renamo, tendo terminado com a assinatura do Acordo Geral de Paz, em Roma, em 04 de Outubro de 1992, tratado que completou recentemente 33 anos.

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