A receita para derrotar o partido Frelimo
Longe de constituir novidade, mas com aparente relevância dada a conjuntura política actual, Joaquim Quinito Francisco Vilanculo, edil da cidade de Vilankulo, sugere uma união dos partidos na oposição nos próximos pleitos eleitorais em Moçambique como “única forma para derrotar o partido Frelimo”.
No entender de Quinito Vilanculo, os moçambicanos estão a ser subjugados pelo actual regime e “Moçambique precisa viver uma nova realidade”.
“O povo já deu o seu sinal de que deseja mudanças. A mudança já não depende só do povo, mas da união dos partidos políticos, porque o povo elege os partidos. Isso deve começar já nas próximas eleições autárquicas [em 2028].
Na óptica de Quinito Vilanculo, caso tal ideia não seja acolhida e implementada pelos destinatários da mensagem, o desejo do povo moçambicano fracassará. “Se formos às eleições de forma dispersa o partido Frelimo permanecerá no poder”.
“Cabe aos partidos na oposição se unir para corresponder a este sinal dado, por exemplo, aqui em Vilankulo, para operar mudanças a nível nacional. Só unidos é que podemos combater este regime comunista do partido Frelimo”, frisou Quinito Vilankulo, em entrevista ao jornal Redactor.
De forma repetida o edil de Vilankulo apelou aos líderes de todos os partidos políticos na oposição “e até aos dissidentes no meu partido a deixarem as suas vaidades de lado”, salientando que a Resistência Nacional Moçambicana (RENANMO), de que é membro, “deve assumir um papel preponderante nesta iniciativa”.
“É sempre bom recordar que foi a RENAMO que lutou pela democracia multipartidária em Moçambique. O partido RENAMO deve ser o timoneiro ou protagonista da união de todos os partidos na oposição, porque são todos eles filhos da RENAMO”, realçou Quinito Vilanculo.
Indagado se já teria colocado este pensamento ao actual líder da RENAMO, General Ossufo Momade, o edil de Vilankulo respondeu negativamente.
“Ainda não tive espaço para sentar [com o presidente da RENAMO] e deixar esta visão, explicar que nós, RENAMO, não devemos olhar os outros partidos na oposição como adversários. São todos nossos filhos”, sublinhou.
Docente de profissão, Quinito Vilanculo optou por exemplificar: “é como numa família. Um pai quando nasce filhos, cada um quando cresce constitui sua família, mas quando há uma cerimónia grande todos os filhos se unem em torno desse objectivo”.
“Este papel de promover a união da oposição é muito mais da RENAMO do que dos restantes partidos. Se a RENAMO claudicar desta responsabilidade, um dos filhos seus pode tomar protagonismo e [o “pai”] pode perder relevância e o seu estatuto. Isso tem acontecido na vida real e em Moçambique não podemos permitir que isso ocorra”.
Quinito Vilanculo reiterou que “é preciso que o pai desperte e assuma as suas responsabilidades. Que chame os seus filhos. São bons ou maus, mas são seus filhos, caso pretenda preservar a sua relevância como pai”.
“É preciso que haja essa ousadia por parte da liderança da RENAMO e dos dissidentes da RENAMO, porque só assim se pode aliviar o sofrimento dos moçambicanos”, insistiu Quinito Vilanculo.
Voltando a “vestir a bata de docente” o jovem edil da cidade de Vilankulo disse que “eu recorro muito à História de Moçambique: para derrotar o colonialismo os três movimentos — UDENAMO, UNAMI e MANU —, se uniram em torno da FRELIMO”.
“Infelizmente, conquistada a independência a FRELIMO traiu os objectivos da luta pela independência e se aproveitou da situação para hoje oprimir os moçambicanos, que tardam em compreender que se devem unir de novo para lutar pela liberdade e democracia efectivas”.
REFINALDO CHILENGUE
Este artigo intitulado foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 09 de Dezembro de 2025.
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