Turismo: Desafio de Nyusi

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, desafiou hoje os operadores turísticos em Moçambique a dinamizarem o sector a partir de parcerias, como forma de aproveitar o potencial turístico de que o país dispõe.
“Temos que deixar de ser potencial país para sermos uma potência”, declarou o chefe de Estado moçambicano, falando durante um encontro com os operadores turísticos em Maputo.
Durante a ocasião, Filipe Nyusi desafiou os operadores turísticos a fazerem com que Moçambique “saia da caixa”, através de parcerias com entidades internacionais ligadas ao turismo.
O ministro da Cultura e Turismo de Moçambique, Silva Dunduro, apontou o fraco uso de tecnologias de informação, a falta de recursos humanos qualificados e a deficiência dos transportes públicos e aéreos como os constrangimentos apontados internacionalmente para o desenvolvimento do turismo em Moçambique.
“Dos 13 países que foram tomados como referência [no Índice Global da Competitividade do Fórum Económico], Moçambique está na penúltima posição [no lugar 130]”, lamentou o governante.
Alguns participantes ao encontro que à saída falaram para a Reportagem do jornal Correio da manhã, mas que pediram para não ser nomeados, comentaram não entender o alcance real do desafio lançado pelo chefe de Estado, tendo em conta a actual conjuntura que Moçambique atravessa.
Moçambique está a passar por uma crise político-militar grave que em algumas províncias inclui confrontos armados envolvendo as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e homens armados da Renamo, com rescaldo de mortos, feridos e estragos materiais avultadíssimos.
“Como é que se vai pensar em potenciar o turismo num ambiente de conflito armado?”, comentou, em jeito de pergunta, um dos operadores presentes no encontro com o chefe de Estado.
“O problema do mau desempenho do turismo em Moçambique não tem nada a ver com a questão das tecnologias de informação, como alega o ministro [da Cultura e Turismo, Silva] Dunduro, mas sim, basicamente, com questões de segurança, elevados custos e a deficiência dos transportes públicos e aéreos”, referiu outro operador turístico.
“Nenhum empreendedor consciente vai aceitar parceria na área de turismo num país que anda aos tiros. A paz efectiva é o primeiro investimento para o turismo em Moçambique, o resto é o resto”, disse outro, visivelmente agastado.

REDACÇÃO

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