Direcção da CTA evita paralização de actividades económicas em Mueda
A Direcção da Confederação das Actividades Económicas de Moçambique (CTA) conseguiu evitar a paralização de actividades que chegou a ser desenhada e anunciada pela delegação distrital desta agremiação de Mueda, Cabo Delgado, Norte do país.
Um comunicado da delegação da CTA em Mueda, cuja cópia está na posse do jornal Redactor, ameaçava uma paralização total das actividades empresariais em todo o distrito entre os dias 21 e 27 deste Julho, cujo início deveria ser marcado por uma “marcha pacífica” dos empreendedores locais, partindo do Cruzamento de Lilondo até ao Centro de Interpretação do Local Histórico (do Massacre de Mueda).
Uma intervenção “in extremis” da Direcção máxima da CTA e representantes do governo provincial evitou a paralização que devia ser caracterizada pela interrupção total das actividades dos transportes, turismo, serviços financeiros, indústria, bombas de combustíveis e todo o comércio geral, por sete dias.
Em declarações este sábado ao jornal Redactor, o presidente da CTA, Álvaro Massinga, disse que as partes interessadas chegaram a um consenso para que tal paralização não ocorra.
Os empresários de Mueda pretendiam, com a paralização, expressar publicamente o seu desagrado com o “silêncio do Governo em resolver a situação” dos sequestros protagonizados pelos supostos terroristas que atacam diversas regiões do Norte de Moçambique, com particular enfoque para Cabo Delgado, desde Outubro de 2017.
É que nos últimos tempos têm se multiplicado relatos de sequestros de empresários e seus colaboradores e cobranças de resgates protagonizados por alegados terroristas, principalmente no troço rodoviário entre Awasi e Macomia.
Ao que o Redactor apurou, mais de 20 viaturas foram interpeladas pelos supostos terroristas ao longo desta semana, com exigências de resgates que variavam entre 50 mil meticais a 300 mil meticais, sob ameaçada de decapitação de quem não correspondesse.
Na saga até ambulâncias não escaparam.
A ideia dos empreendedores era a de que durante a paralização todos os empresários, agentes económicos e comerciantes mantivessem os respectivos estabelecimentos fechados e permanecerem nos respectivos aposentos.
A província de Cabo Delgado, riquíssima em recursos naturais, está, desde Outubro de 2017, a ser teatro de um levantamento armado protagonizado por grupos alegadamente islamitas extremamente violentos.
Apesar de se terem implementado programas europeus de treino de contingentes moçambicanos para operarem em Cabo Delgado, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) continuam a ressentir-se de problemas de logística – alimentação, meios de transporte, comunicações, rotação de forças e mesmo salários.
Entendidos habilitados referem que a mortalidade entre militares das FADM tem aumentado nas últimas semanas, sobretudo em operações em Macomia, onde as tropas estatais e a força (“amiga”) ruandesa tentaram ocupar a região de Quiterajo e de Katupa.
A situação de segurança não se tem alterado significativamente, registando-se, inclusivamente, mais ataques a unidades militares das FADM e das Rwanda Defense Force (RDF) e polícias da Rwanda National Police (RNP), de acordo com os mesmos analistas.
Mesmo assim, consta haver registo de esforços de unidades das FADM, RDF e RND visando eliminar as bases de retaguarda dos insurgentes, para além do aumento de exposição dos militares estatais e seus aliados, principalmente no distrito de Macomia.
Redactor
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