O Idai que agudizou o calvário de Augusta Semo
O ciclone Idai, que em Março de 2019 fustigou impiedosamente várias regiões da África austral, incluindo Moçambique, veio agravar o calvário de Augusta Semo, uma moçambicana hoje com 47 anos de idade, residente em Chimoio, capital da província central de Manica.
Augusta Semo já levava uma vida depauperada, mas o golpe quase final veio com o devastador Idai que deixou marcas desastrosas em termos de perdas humanas [mais de 600 mortos], destruições diversas e tristes memórias.
Foi na noite desse mau tempo [14 para 15 de Março de 2019] que, regressando da casa de uma irmã no Bairro Piloto, na mesma cidade, esta mãe de três meninas e um rapaz viu parte do muro de vedação de campo de corridas de motorizadas na cidade de Chimoio, vulgo Motocross, cair sobre o seu corpo, ferindo-a gravemente no seu braço direito, que viria a ser amputado no principal hospital de Manica.
Tomé Faustino Gerente, irmão-primo de Augusta, conta ao jornal Redactor que à data da tragédia ela vivia no bairro Centro Hípico, Zona 14 e quarteirão Nº 54, na Autarquia de Chimoio, onde permanece até presente data.
Volvidas algumas semanas de internamento Augusta teve alta hospitalar, mas encontrou nos seus aposentos um quadro dantesco: sua modesta habitação havia desabado na sequência do ciclone que fez cair o muro sobre seu corpo.
Depois de recuperar do susto, foi notificar a ocorrência à liderança do bairro, que por sua vez repassou a informação Instituto Nacional de Gestão e Redução de Desastres (INGD), que prontamente providenciou algum apoio, montando, inclusivamente, uma lona que serve de abrigo para Augusta Semo até hoje.
Um mal nunca vem só

Porque, como diz o velho adágio, um mal nunca vem só, depois da dupla tragédia — perda da habitação e amputação do braço — os quatro filhos de Augusta Semo, todos maiores de idade, desapareceram da zona sem deixar rasto, de acordo com Tomé Gerente.
A angústia que apoquenta Augusta Semo, que hoje sobrevive da caridade de vizinhos, fez com que esta desenvolvesse trombose e hoje mal se locomove.
“Faz todas as necessidades biológicas ali onde ela dorme e come. Difícil compreender como sobrevive naquelas condições. Só Deus mesmo pode interpretar este fenômeno”, comentou para o jornal Redactor Tomé Faustino Gerente.
Bernardo Canazache, chefe bairro Centro Hípico e que vive a aproximadamente 500 metros da casa de Augusta Semo, estranha a falta de apoio por parte do Instituto Nacional de Acção Social (INAS) a esta mulher, “porque sabe do assunto”.
Para mitigar o sofrimento de Augusta Semo, Canazache disse que iria desencadear esforços acrescidos para buscar mais apoios para esta mulher. Dito e feito, no sábado passado [09 de Agosto de 2025] 23 congregações religiosas activas em Chimoio se movimentaram em torno da residência da paciente, prestando alguma assistência.
A promessa [ainda] por cumprir

Abordada pelo jornal Redactor, Esperança Tevede, delegada do INAS em Manica, disse desconhecer o dossier de Augusta Semo, pedindo à nossa equipa de Reportagem que a acompanhasse até ao local onde a doente vive.
A visita “guiada” pelo jornal Redactor à tenda de Augusta Semo efectivamente aconteceu no dia 06 deste Agosto, envolvendo a delegada do INAS e mais quatro funcionários desta instituição de apoio a pessoas vulneráveis.
A comitiva seguiu numa viatura topo de gama e levava alguns víveres para Augusta Semo, mas, espantosamente, Esperança Tevede impediu o registo de imagens do momento da entrega do donativo composto por 10 quilos de arroz, outros tantos de farinha, feijão manteiga, detergente e dois litros de óleo de cozinha.
“Nós não sabíamos desta situação, iremos accionar linhas para o sector da saúde para vir levar ela para o hospital, porque vimos que o grande problema dela tem a ver com a questão de saúde. Ela precisa de um acompanhamento médico multiforme. Também ela já está traumatizada, e vamos mandar uma cadeira de rodas para ela, já que não consegue andar”, prometeu a delegada do INAS em Manica.
O jornal Redactor chegou a acreditar na palavra da delegada Tevede e embargou por alguns dias este artigo, na expectativa de ver a passagem das palavras desta responsável às acções, mas debalde: pelo menos até esta segunda-feira [11 de Agosto de 2025] Augusta Semo continuava entregue à sua sorte no bairro Centro Hípico em Chimoio.
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Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 12 de Agosto de 2025.
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