O Estado-Papá Noel de Daniel Chapo – JÚNIOR RAFAEL

Imaginem a cena: o presidente Daniel Chapo, de peito estufado e sorriso no rosto, anuncia ao país que qualquer empreendedor que falir não precisa se preocupar, porque o Estado vai pagar a dívida no banco. Uma espécie de Papá Noel tropical, versão “Banco Central da Fantasia”.

É claro, quem ouviu a promessa provavelmente olhou em volta para ver se não havia renas estacionadas no telhado da Presidência da República. Afinal, estamos a falar de um Estado que mal consegue pagar salários aos seus próprios funcionários, que deixa professores e médicos à mercê de atrasos, e que não consegue sequer comprar livros escolares ou medicamentos básicos. Mas, segundo o Presidente, dinheiro para saldar dívidas privadas nos bancos… ah, isso haverá de sobra!

A ironia se aprofunda quando lembramos que este mesmo Estado não consegue reabilitar uma estrada que liga o Norte ao Sul, não compra “machimbombos” para a população, nem resolve a eterna crise dos transportes públicos. Mas, no teatro político, tudo é possível: até transformar-se em fiador universal de empresários azarados.

E aí surge a dúvida nacional: seria isso uma mentira descarada ou apenas propaganda barata? Talvez o presidente não tenha a mínima dimensão do peso das suas palavras. Talvez tenha confundido o discurso oficial com uma palestra motivacional de domingo. Ou, quem sabe, estava a testar até onde a paciência do povo pode ir antes de desatar em gargalhadas ou lágrimas.

Esperamos apenas que, desta vez, não venha dizer que o vídeo foi manipulado ou que usou-se a inteligência artificial para lhe colocar aquelas palavras na boca. Porque, se for esse o caso, já não estaremos apenas diante de um Papá Noel, mas de um verdadeiro mágico de circo político.

O mais provável, contudo, é que após a encenação, Chapo tenha levado não apenas um puxão de orelha da esposa, mas também do partido que o plantou naquela cadeira presidencial. Porque uma coisa é governar mal; outra é fazer o povo acreditar que Papá Noel virou chefe do Tesouro.

No fim, resta-nos um olhar de um país onde promessas políticas têm o mesmo valor que notas de monopólio: coloridas, divertidas, mas sem serventia quando chega a hora de pagar a conta.

JÚNIOR RAFAEL OPUHA KHONLEKELA

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