O tradicionalismo regional — CÉSAR NHALIGINGA
Em tempos, toda acção era feita de forma precisa, não se publicitava aos tradicionalistas e eram temidos a todos níveis.
Paradoxalmente, hoje fazem anúncios quer nos jornais, assim como em folhetos, rádio ou mesmo televisão.
A mesma informação é afixada nos postes ou parede, para além do uso das redes sociais.
O modernismo tradicional mostra a superação do antigamente, tal que, para além do tratamento à distância, o mesmo pode ser feito telefonicamente.
Há que reconhecer, como se têm dito, os tempos são outros.
O “tradicionalista actual busca a medicação no seu quintal, quando antes, era cultivado em grandes matas, disputando o mesmo com animais ferozes lá existentes”.
Estes não escutam a rádio, mas sim, leem jornais e veem televisão, o que é importante para buscar a actualidade e estarem em sintonia com o mundo.
Ademais, alguns cavam a vida de outrem através de conversas pelas costas ou por detrás das portas, o que facilita o inocente a tornar-se vidente. Nota-se a luta pela vida e conquista de espaço através de diferentes formas de agir pela mágica.
Se tem falado que durante o tratamento a uma determinada pessoa, mesmo encontrada a alma ou buscada a voz de quem pretende ouvi-lo, ao tocar o seu telefone, este já transformado, atende para marcação com o próximo cliente, o que mais preocupa a cidadania.
Mas precisamos perceber do lado profissional de cada um, lembrando que não se mede o Homem pelas palmas das mãos e cada caso é um caso.
Os tradicionalistas buscam a civilização ocidental vivida na história como uma anomalia, desenvolvendo em uma direcção puramente material, o que se confunde com o “Renascimento tradicional”.
É perceptível que o tradicionalismo moderno mantém raízes nas tradições culturais e espirituais, mas evoluiu ao incorporar novas técnicas e conhecimentos.
Ele valoriza plantas medicinais, rituais, aconselhamento espiritual e terapias naturais como formas de promover o bem-estar físico e psicológico.
Hoje, muitos tradicionalistas dialogam com a medicina científica, actuando como complemento aos cuidados de saúde formais, especialmente em comunidades onde o acesso a hospitais é limitado.
Além disso, há crescente interesse urbano e global, ligando o tradicional a movimentos de medicina alternativa, terapias holísticas e valorização da cultura local.
É preciso enfatizar a importância de honrar o tradicional, mas sem se prender ao passado, valorizando o conhecimento e cultura herdada como base para o futuro.
A tradição deve servir como um elo para fortalecer o indivíduo e a sociedade actual, não sendo um obstáculo à inovação, mas um guia para construir um futuro sólido e consciente.
Este artigo intitulado foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 04 de Setembro de 2025, na rubrica de opinião denominado OPINIÃO
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