Costumes do antigamente — CÉSAR NHALIGINGA
Um dos hábitos culturais para o respeito e bem-estar da nossa povoação seria o resgate da moçambicanidade, através dos ensinamentos ou cultivo da respectiva tradição, com vista ao engajamento das premissas básicas que marcaram as gerações, o que ficou apagado.
Houve tempos em que as crianças eram interditas de participar em cerimónias fúnebres, que mesmo na base desse acontecimento, eram deixadas nas casas vizinhas para não acompanhar o sucedido, “tragédia na família” e retomavam a casa após a realização do enterro para tradição subsequente.
O agravante não só a participação de menores em locais de género, mas triste ainda são as danças e cantigas que ocorrem em plena cerimónia daquela natureza, adultos e adolescentes fazem festa, bebidas alcoólicas de mão em mãos, fumos saindo pelos lábios e narinas, são cigarros consumidos como se comboio em funcionamento se tratasse.
Mães nenecando seus bebés com choros nas costas, entram em disputa na roda de dança durante as comemorações que por vezes em urna se sentam para descansar, haja reflexão!
Em tempos fora era proibida a participação de menores em funerais, de igual forma a saírem de casa para assistir ao desfile das viaturas enquanto transportar a urna. Hoje fora de gritaria, até palavras injuriosas são proferidas em sequência.
Que ensinamentos trazemos para o nosso povo, afinal trata-se de transmissão de manifestação ou mensagens do ritual tradicionalista que constituirão a historiografia nas diferentes regiões da sociedade.
É notável que, em acções de género, descreve-se o dinamismo cumulativo, acompanhado pelas mudanças que “premeiam” o fenómeno em torno e as manifestações em cada sociedade.
Foi assim que uma vovó de idade super-avançada desmaiou em acto cerimonial do seu ente querido, não pelo número de participantes, mas pela forma como parte dos seus próximos aproveitavam do espaço para o último adeus.
Nesse contexto urbano, os rituais de despedida, católicos e outros, alteram a sua forma com o decorrer do tempo, mas permanecem como eventos e cerimónias onde as pessoas prestam as suas últimas homenagens expressando os sentimentos de tristeza e dor que se materializam com as lágrimas derramadas.
Na sequência em que ocorre a despedida, as expressões de solidariedade são frequentes em pessoas que carregam sentimentos de tristeza “choro” e outras alegram-se “sorriso” por conta da trágica situação sucedida naquela parte da sociedade.
“Observa-se que algumas pessoas soltam gargalhadas e riem-se das piadas contadas durante o evento, enquanto outros degustam as comidas e bebidas que lhes são oferecidas”.
Essas práticas são o que fazem as cerimónias serem estranhadas e um primeiro sinal de mudança de sentido, embora permaneçam as estruturas que a tornam padrão em continuidade com o desejado.
Quer se faça coro no pranto, quer se esteja provocando o riso, “amigos e conhecidos” despedem-se dos familiares dizendo: estamos juntos.
Este artigo intitulado foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 18 de Setembro de 2025, na rubrica de opinião denominado OPINIÃO
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