Os grandes desafios dos novos gestores da AdM
Diversificar fontes de receitas e evitar que as infraestruturas aeroportuárias da empresa Aeroportos de Moçambique (AdM) caiam na “lista cinzenta” da Organização da Aviação Civil Internacional, também conhecida por sua sigla em inglês, ICAO [International Civil Aviation Organization] destacam-se entre os desafios alistados pelos actuais gestores desta companhia.
De acordo com a respectiva Presidente do Conselho de Administração, Amélia Muendane, a AdM, como qualquer empresa digna dessa designação, se norteia pelo princípio de competitividade, daí que está em busca da autossuficiência.
Para tal, vincou, os gestores empossados na semana passada foram, na oportunidade, convocados a diversificar fontes de receitas da empresa, ao invés de olhar apenas nas actividades aeroportuárias.
“Para atingir esse desígnio estamos a fazer um investimento duro e a cumprir um plano rigoroso de reestruturação financeira”, sublinhou a antiga responsável pela Autoridade Tributária de Moçambique.

Hoje, globalmente a empresa AdM tem dois tipos de receitas: aeronáutica (90%) e não aeronáutica (10%).
Da aeronáutica existem várias rubricas: a maior delas é a taxa de passageiros (aproximadamente 35%), sobrevoos (27/28%) aterragens e estacionamento de aeronaves na placa. As duas únicas ultrapassam os 50%.
Amélia Muendane expressa fé de que os objetivos traçados serão atingidos, porque a AdM possui património em termos de espaços bastante nobres e recursos humanos à altura. “Estamos à procura de parcerias para a exploração desses espaços”.
“A visão da empresa AdM em dois anos sairmos do vermelho e podermos entrar na situação do Zero nos nossos balanços, mas com a crença de que em cinco anos a empresa Aeroportos de Moçambique poderão falar outra língua”, declarou a responsável.
Amélia Muendane diz ter encontrado a instituição “bastante saudável, com muitos jovens e muita vontade de fazer diferença” e salientou que um dos planos da instituição é a requalificação do Aeroporto Internacional da Beira, no Centro do País, que deverá estar concluída até ao final do presente ano.
“Tem as mesmas dificuldades que qualquer empresa que vem do Estado quer se transformar em empresa competitiva no mercado. As receitas de negócios não aeroportuários perfazem 10%. A nível global são 40/45% em media”.
Repetiu que o esforço em marcha é desalojar a empresa da dependência em relação às companhias aéreas, porque, vinca, “nenhum aeroporto ou empresa aeroportuária vai se tornar rentável dependendo apenas das companhias. Porque se estas caem o mesmo sucede com a empresa aeroportuária”.
“A empresa AdM deve ter negócios para garantir a sua autossuficiência. É esta a visão da actual administração: transformar o que tudo neste momento é ônus em negócio”.
Muendane mostra-se satisfeita porque paulatinamente Moçambique está a ser usado por companhias renomadas de aviação como corredor, porque está a investir forte na segurança e equipamentos de navegação.
“Fizemos grandes investimentos na navegação aérea de tal sorte que já se registam soluções estratégicas. Da Beira (Centro de Moçambique) para o Norte já se comunica e agora estao a ser resolvidos os problemas na região Sul. Até Dezembro Moçambique poderá comunicar livremente”, sublinhou Muendane.
Esta semana o Redactor testemunhou este quadro. Uma das maiores companhias aéreas de aviação, fazendo o trajecto Joanesburgo/Dubai, contornou a parte Sul de Moçambique, mas fez uso pleno do espaço aéreo a partir do Centro do país até ao extremo Norte.
“Resolvido o problema de comunicação, segurança e navegação no Sul do país, isto até ao final deste ano, Moçambique um hub apetecível para as companhias aéreas”, referiu a gestora.
Amélia Muendane salientou que em menos de seis meses a empresa está a lograr um incremento de mais de cinco por cento de uso do seu espaço aéreo e hoje já se está nos seis por cento de sobrevoos — um dos indicadores de receitas que estava a declinar substancialmente porque não havia sobrevoos.
Ela mostrou-se confiante de que a próxima visita inspectiva [auditoria] da será decisiva, pois ela vai incluir toda a infraestrutura, considerada “muito complexo”.
REFINALDO CHILENGUE
Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 09 de Outubro de 2025.
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