Ossufo Momade defende soluções internas e pede coesão

O presidente da RENAMO, Ossufo Momade, denunciou a existência de alguns membros do partido que recorrem aos meios de comunicação social para expor publicamente divergências internas, atitude que considera uma violação grave dos princípios e valores da “perdiz”.

Momade entende que essa postura não apenas fere a ética partidária, como também fragiliza a imagem da organização perante a opinião pública, criando espaço para divisões internas e manipulações externas.

Durante a II Sessão Ordinária do Conselho Nacional da RENAMO, realizada esta quinta-feira em Nampula, o líder do terceiro dos quatro partidos com representação parlamentar em Moçambique apelou à união e firmeza dos membros e simpatizantes, face ao que descreve como “uma crescente pressão externa destinada a manchar a imagem e a estabilidade” da formação política.

Para Momade, a coesão interna é a chave para preservar os ideais e princípios que estiveram na origem da criação da Resistência Nacional Moçambicana, fundada sobre o espírito de patriotismo, resistência e defesa da democracia.

O dirigente exortou os militantes a manterem-se vigilantes e determinados, de modo a travar quaisquer forças internas ou externas que pretendam desvirtuar o espírito fundador da organização e destruir o projecto colectivo herdado dos líderes históricos André Matadi Matsangaíssa e Afonso Macacho Marceta Dhlakama.

“Alguns transformaram-se em opositores da nossa própria Resistência Nacional, tentando destruir o projecto colectivo que herdámos de Matsangaíssa e Dhlakama”, afirmou Momade, visivelmente preocupado com o rumo que alguns sectores têm tomado dentro da estrutura.

O presidente sublinhou que a unidade é a única via capaz de garantir a sobrevivência e o fortalecimento da RENAMO, reforçando que o partido deve continuar a ser um símbolo de resistência pacífica e uma alternativa democrática sólida em Moçambique. Abordando as irregularidades nas últimas eleições, Momade destacou que a decisão da RENAMO de não promover manifestações violentas não se deveu a fraqueza, mas sim à defesa da vida e da paz social.

“Não foi por fraqueza que não participámos nas manifestações. Foi por defender a vida de jovens, mulheres e homens que poderiam ser sacrificados. O nosso compromisso é com a paz, a estabilidade e o desenvolvimento”, sublinhou.

O líder recordou que, desde que assumiu a presidência da RENAMO em 2019, tem mantido a mesma equipa e orientações políticas deixadas por Afonso Dhlakama, respeitando os acordos alcançados no processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR).

Segundo Momade, a missão actual do partido é preservar o legado histórico e garantir o crescimento saudável da organização, mantendo-se firme, aberta ao diálogo e comprometida com o futuro de Moçambique.

Durante o seu discurso, o dirigente voltou a responsabilizar a comunidade internacional pelo incumprimento das promessas feitas no âmbito do DDR, sublinhando que tal situação tem travado a implementação de vários pontos do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional.

Ivan Mazanga

Momade apontou directamente o embaixador europeu Mirko Manzoni como um dos principais responsáveis pelo impasse, acusando-o de não honrar os compromissos assumidos junto da RENAMO e do Governo moçambicano.

“A nossa contribuição foi garantir o direito à fixação de pensões de reforma para os combatentes desmobilizados, a integração de oficiais nas fileiras da Polícia da República de Moçambique e a criação de projectos de geração de rendimento. Infelizmente, o processo está paralisado porque a comunidade internacional, representada pelo embaixador Mirko Manzoni, não está a cumprir o prometido”, lamentou.

O líder da perdiz reforçou ainda que a situação social dos ex-combatentes continua a ser uma prioridade absoluta para a RENAMO, apelando ao fim das intrigas, das falsas acusações e das campanhas de desinformação que visam fragilizar o partido.

“Não é justo alimentar ódios, culpando injustamente quem sempre defendeu o bem-estar dos nossos combatentes.

A RENAMO é uma família e deve continuar unida na defesa da paz e do futuro de Moçambique”, afirmou com firmeza.

Por seu turno, Ivan Mazanga, teceu duras críticas à actual liderança do partido e defendeu a necessidade de revisão dos estatutos, argumentando que muitos dos problemas internos decorrem da falta de atualização das normas internas.

“Queremos que os membros possam rever os estatutos, porque estes problemas surgem por causa da não revisão dos estatutos”, referiu.

ELINA ECIATE

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