Sem o envolvimento da comunicação social dificilmente será possível vencer a luta contra o tabagismo

Sem o envolvimento da comunicação social dificilmente será possível vencer a luta contra o tabagismo

A comunicação social desempenha um papel fundamental em prol da luta pela redução e eventual eliminação dos danos causados à sociedade pelo crescente consumo do tabaco de combustão.

O papel dos media pode consistir eminentemente na disseminação de conteúdos informativos que encorajem as pessoas a deixarem de fumar, ou melhor ainda, a nunca começarem a fumar. Menores, em particular, devem ser protegidos, evitando-se, a todo o custo, que eles tenham contacto com o tabaco.

A mensagem central na luta contra o tabagismo é de que o consumo do tabaco, sobretudo o de queima, pode resultar na contracção de doenças que podem levar até à morte. Contudo, há necessidade de reconhecer que nem todos os fumadores vão conseguir deixar de fumar, ou vão abandonar o consumo da nicotina.

É aqui onde a questão das mensagens sobre os produtos alternativos ao tabaco de queima entra em acção. Está comprovado que o fumo resultante da queima do tabaco liberta várias substâncias tóxicas que incluem alcatrão e monóxido de carbono, os quais podem provocar doenças cancerígenas que conduzem à morte.

Ao fumarem, os fumadores estão à procura da nicotina, que por sua vez causa uma sensação de bem-estar. A nicotina em si não é nociva à saúde, mas provoca um estado de dependência. O desafio, então, está em encontrar outras formas de permitir que os que consomem a nicotina o façam em condições seguras, sem inalar todas as substâncias tóxicas associadas ao fumo do tabaco.

Os produtos alternativos ao tabaco de queima são essenciais para a saúde daqueles que mesmo tentando parar de fumar não conseguem, oferecendo-lhes a possibilidade de continuarem a ter acesso à nicotina, sem ser pela via do cigarro.

O papel tradicional da comunicação social tem sido definido como sendo o de informar, educar e entreter. A sua função é actuar como guardião do interesse público, fiscalizando a actuação do poder público, de modo a garantir que este funcione com responsabilidade e seja capaz de prestar contas pelo seu trabalho.

No que diz respeito à redução de danos causados pelo consumo do tabaco de queima, o papel da comunicação social deve ser o de promover a consciência pública quanto à necessidade de não fumar, informando claramente as pessoas sobre os riscos que o consumo do cigarro representa para a sua própria saúde. Neste quesito, campanhas da comunicação social, incluindo nos meios não tradicionais como os media digitais e redes sociais, podem se transformar em poderosos instrumentos de luta em prol da saúde pública.

Contudo, apesar deste enorme potencial que a comunicação social representa, ela continua na maioria dos casos marginalizada do amplo debate sobre os mecanismos de redução de danos relacionados com o consumo do tabaco.

O artigo 12 da Convenção Quadro para o Controlo do Tabaco (CQCT), que é implementada sob os auspícios da Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda os países signatários a promover e reforçar a consciência pública sobre questões ligadas ao controlo do consumo do tabaco, recorrendo a todos os instrumentos de comunicação disponíveis.

Para este fim, recomenda a Convenção, cada Estado signatário deve adoptar e implementar efectivamente medidas legislativas, executivas, administrativas ou de outra natureza para promover o mais amplo acesso a programas de educação sobre os riscos à saúde, incluindo as características de viciação ligadas ao consumo e exposição ao fumo do tabaco. As campanhas de educação devem incluir mensagens sobre os benefícios de deixar de fumar e levar uma vida livre do fumo.

Organizações envolvidas na luta contra o tabaco devem igualmente estabelecer parcerias com a comunicação social, disponibilizando informação sólida e credível, que permita ampliar mensagens suficientemente persuasivas sobre a abstinência ao tabaco e como fumadores podem recorrer a vários meios para deixarem de fumar ou ter acesso a alternativas menos nocivas.

Jornalistas devem ser equipados com conhecimento sólido sobre os mecanismos formais internacionais, assim como a legislação nacional e outros instrumentos aplicados no controlo sobre o consumo de tabaco, para permitir que sejam capazes de reportar sobre violações e levar as autoridades a implementarem efectivamente os dispositivos pertinentes, incluindo aqueles que proíbem a publicidade em prol do tabaco.

Mas para que a comunicação social seja capaz de desempenhar o papel que dela se espera na luta contra o tabagismo, será necessário que governos e organizações não governamentais que trabalham sobre o controlo do tabaco tomem decisões deliberadas visando a inclusão de órgãos e profissionais de comunicação social nas suas actividades, disponibilizando toda a informação técnico-científica adequada e pertinente, de tal forma que eles possam desenhar as suas mensagens e ajudar milhões de pessoas no mundo que estejam a tentar, mas não conseguem parar de fumar.

Com a 11ª Conferência das Partes (COP11) a decorrer de 17 a 22 de Novembro em Genebra, é imperativa a necessidade de estabelecer mecanismos mais eficazes e eficientes para assegurar que a luta contra o tabagismo seja bem-sucedida. Isso passa por reconhecer a dupla importância do papel da redução de danos e do envolvimento da comunicação social.

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