A conexão — CÉSAR NHALIGINGA

As coisas começam no final do dia, céu limpo, totalmente tomado a cor das águas do oceano.

Na aldeia realizava-se a festa de lobolo do jovem, filho do regulado daquela artéria. As mulheres de capulana, sorridentes e cobertas de lenço, desfilavam cantando a alegria pela recepção da nora que seria levada à outra família.

Estavam todos empenhados no preparo do banquete, movidos e movimentados de sons de tambores.

Consumiam “xibuko”, bebida feita de mandioca, para quem não quisesse poderia aliar-se aos que se encontravam por debaixo da frondosa árvore para deliciar do garrafão de “cabanga”, trazido da zona Norte pelo tio da sortuda.

Moça, maquilhada da cara aos pés, rodeada pela vizinhança, amigas e demais convidados, não via a hora da chegada do seu herói, o temido homem do dia.

De gritaria não faltava naquela residência, flores para cá e para lá, esteiras estendidas ao chão para evitar sujar os recondicionados sapatos dos nubentes.

Já se vão duas horas, sem desespero, as buzinas de viatura soavam pelo bairro, era a chegada de equipe de avanço (acompanhantes), para anunciar a grande novidade na casa do dos régulos: – nos organizemos, se aproximam os noivos e a elegância marca os vientes, diz assim a tia dela.

Os homens batiam no tambor com toda força, tocados sinos, a recepção estava totalmente preparada, as crianças pulavam dum lado para o outro com balões nas mãos, cantavam e tocavam apitos, batuques e aplausos.

No entanto, saía a noiva, toda loira de tanta pintura, sentava na cadeira meia tímida, ouvindo os “culunguanas” e vendo a agitação dos presentes.

Minutos depois entra o esperado, trajado a vermelho, na total felicidade, era acompanhado pela madrinha. Feita a cerimónia toda, alegria de lá e de cá, abraços entre os compadres, foi marcante, como quem diz “não via a hora”.

Tudo saiu em perfeitas condições…, semanas depois, as coisas ficam para história, o casal volta ao anterior, “gritaria e desentendimento, momento de divórcio se aproximava”, tal que as expressões marcantes eram de fúria e lamentação.

Dizem os que viviam próximo dos dois: o orgulho fluía por parte destes, ninguém sabia ceder, o que colocou os demais a um banho-maria.

É necessário aprender a se colocar em primeiro lugar em uma relação, não como sinônimo de egoísmo, mas sim amor próprio.

Não deixe que o orgulho ser maior que o amor, por que a dúvida o faça perder e os sentimentos permaneçam em silêncio.

Precisa-se perceber que o companheirismo é um pilar essencial no relacionamento e  fortalece a conexão e intimidade entre o casal, manifestando-se na compreensão mútua e no apoio incondicional.

CÉSAR NHALIGINGA

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