Os desafios de Chapo à Universidade Eduardo Mondlane

O Presidente Daniel Francisco Chapo desafiou hoje a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior e mais antiga instituição de ensino superior de Moçambique, a preparar os estudantes para o uso ético da Inteligência Artificial (IA), alertando que a tecnologia coloca questões “sérias” ao ensino superior.

“A IA é uma das maiores conquistas do nosso tempo, mas o seu uso levanta questões éticas e pedagógicas sérias”, disse o chefe de Estado, durante a cerimónia de graduação de discentes de quatro nacionalidades da UEM, que este ano formou mais de mil estudantes entre licenciados, mestres e doutores, em Maputo, defendendo que a instituição deve liderar a orientação ética no domínio das novas tecnologias.

“A universidade deve, assim, ensinar os nossos jovens a usar a IA para pensar melhor e com ética”, afirmou, sublinhando que o ensino superior precisa de acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas.

Chapo apresentou dois outros desafios à UEM: assegurar que a formação responda às exigências do mercado de trabalho e participar ativamente no Diálogo Nacional Inclusivo.

“Hoje, é necessário que a universidade forme criadores de emprego e não apenas candidatos a emprego”, declarou o estadista acrescentando que “o tempo em que o diploma garantia automaticamente um emprego chegou ao fim”.

No plano político, o Presidente apelou à contribuição das instituições académicas no processo de diálogo e pacificação em curso no país.

“A UEM pode, querendo, submeter as suas contribuições por escrito à Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo, partilhando análises, propostas e visões”, afirmou ainda, referindo-se às reformas constitucionais e de governação, previstas neste processo.

O chefe de Estado destacou também o papel histórico da UEM na formação dos primeiros quadros do país após a independência, em 1975, lembrando que a instituição evoluiu para uma universidade de investigação, “comprometida com a ciência, a inovação e a transformação social”.

Chapo reforçou que a educação é central para a independência económica de Moçambique: “O principal recurso que este país tem é o capital humano”, frisou, sustentando que o progresso nacional depende de quadros “competentes, cientificamente bem formados e profundamente comprometidos com a pátria”.

Aos graduados, Chapo deixou uma mensagem de responsabilidade e serviço público: “O vosso diploma não é o fim de um percurso, pelo contrário, é o início de uma nova responsabilidade, que é a de servir o país com competência, com responsabilidade, com honestidade, com integridade, com ética e patriotismo”, declarou, desafiando a UEM a continuar a afirmar-se como “fábrica do saber e farol da esperança”, comprometida com a ciência, a ética e a juventude.

A Universidade Eduardo Mondlane tem origens na Aula de Anatomia de Lourenço Marques – designação de Maputo no período colonial -, estabelecida em 1789. Em 1968 foi constituída a Universidade Lourenço Marques, que após a independência passou a designar-se, em 1976, Universidade Eduardo Mondlane (1920-1969), em homenagem ao primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

Actualmente, conta com 48.306 estudantes inscritos em 204 cursos, dos quais 104 de licenciatura, 85 de mestrado e 15 de doutoramento. 

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