Microbanco Sólido S.A. sob investigação

Fontes do Luanda Post em Maputo revelam que o Microbanco Sólido S.A., constituído com 5 milhões de meticais conta na sua estrutura com os irmãos Clésio Paulo da Silva Duarte Gomes e Clénio Paulo da Silva Duarte Gomes.

Os irmãos são filhos do falecido empresário angolano Duarte Gomes, ex-proprietário da companhia aérea Air 26, cuja fortuna foi consolidada durante a era de José Eduardo dos Santos (JES), época em que Duarte Gomes era responsável por cuidar dos negócios de altos governantes que lesaram os cofres do Estado angolano, como Frederico Cardoso, ex-ministro de Estado.

Esta conexão com a elite angolana da era JES e a origem do capital levantam fortes questões de transparência e compliance no mercado financeiro regional.

A polémica em torno da origem do capital é exacerbada pelo contraste visual. Uma figura ligada à administração do Microbanco Sólido S.A., Lina Márcia, tem sido alvo de atenção nas redes sociais.

Enquanto o banco promete inclusão, Lina Márcia exibe publicamente um estilo de vida de grande ostentação, com imagens que mostram viagens internacionais, artigos de luxo, e até mesmo voos de helicóptero carregados de flores.

A exposição de tamanha riqueza por figuras ligadas à administração de uma instituição financeira sob escrutínio aumenta as preocupações do mercado sobre a total transparência dos fundos que estão a ser investidos no Microbanco Sólido S.A. e a circulação de capitais entre Angola e Moçambique.

Transparência

O Midiã News Grupos exige que os reguladores e a administração do Microbanco

Sólido S.A. respondam às questões cruciais para a estabilidade e confiança no mercado, a origem do capital, a forma como os accionistas demonstram que os capitais investidos estão totalmente limpos e auditados, dissipando as suspeitas de branqueamento de capital.

Questiona-se também a relação política, o envolvimento ou participação (mesmo que indirecta) de quaisquer ex-funcionários do governo angolano ou figuras políticas na gestão ou no capital social do Microbanco.

Supervisão

Pergunta-se também se o Banco de Moçambique (BM) está a exercer uma supervisão reforçada sobre todas as transações de alto volume que envolvam este banco e as transferências internacionais.

Actividade económica

“O escrutínio sobre a origem do capital do Microbanco Sólido S.A. intensifica-se com a expansão dos interesses familiares para Angola, Lina Márcia, esposa de Alcides

Moçambique e ligada à administração do banco, confirmou através de fontes, como a Platina Line, o lançamento da sua marca de cosméticos, a ‘Lynnacosmetics’, em

Luanda”.

O fundo proveniente deste empreendimento, segundo a mesma publicação, do próprio Banco em Maputo, e enquanto o Microbanco em Maputo tem um foco declarado na ‘inclusão financeira’, e este novo empreendimento em Angola insere-se no mercado de varejo de luxo e alto consumo.

Este cruzamento de interesses — de um lado, o capital pesado e a regulação bancária; do outro, o negócio de varejo e a visibilidade social em Angola — levanta questões críticas.

Uma delas é a relação financeira entre o capital que sustenta o Microbanco em Moçambique e os fundos injectados na ‘Lynnacosmetics’ em Luanda.

“A aparente ostentação, que inclui publicações nas redes sociais exibindo alto padrão de vida, serve agora como pano de fundo para a investigação sobre a total transparência dos capitais que circulam neste eixo Moçambique-Angola”, refere ainda a publicação.

Documentos oficiais da Conservatória de Registo das Entidades Legais de Moçambique, emitidos em 11 de Setembro de 2023, contendo o estatuto social de uma sociedade financeira (possivelmente um microbanco), tem como capital social: 5.000.000,00 meticais (MZN) — cerca de 78.000 USD à taxa média de câmbio.

Tem como objecto social, actividades bancárias e financeiras, incluindo recepção de depósitos, concessão de crédito, emissão de cartões de pagamento, consultoria, e gestão de carteiras de valores mobiliários.

O Conselho de Administração é presidido por Jerson João Tembe, e tem como administradores executivos, Lina Márcia Gonçalves Gazane, Alcides Viegas Luciano Chiono, ao passo que Cacília Ferreira Martins Tembe, ocupa a função de administradora financeira.

Estes nomes e a estrutura sugerem tratar-se de uma instituição financeira de pequeno porte, possivelmente com ligação familiar ou de grupo económico restrito, o que é comum em microbancos ou sociedades de crédito em formação, com movimentos

de lavagem de capitais entre Angola e Mozambique

Redactor/Fonte: jornal Pungo a Ndongo de Angola

Para ver a revista Prestígio de Novembro/Dezembro de 2025 clique este link:

https://shorturl.at/KO4bS

Siga nos no Facebook e partilhe

https://www.facebook.com/Redactormz

Compartilhe o conhecimento

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *