Rever o passado — CÉSAR NHALIGINGA

Houve tempo em que a “palidez” era normal e caracterizava o bem-estar do ser humano.

Quando criança, a palmatória era usada como meio para ensinamento e acatavam-se as orientações sem restrições.

Não haviam escolhas, mas sim decisões dos progenitores aos filhos, tudo era transparente e facultativo, que dificilmente ocorriam suicídios e homicídios, parecia não haver cordas naqueles tempos.

Parecia um passado a ficar em determinado povoado.

De sapato Tiganá, DH ou XF, com sua sacola plástica ou de qualquer que fosse o tecido, não havendo, usava-se coreia ou livros nas mãos, as crianças, adolescentes e jovens faziam-se à escola preparando o seu amanhã.

O homem semeava sua semente para colher de acordo com a época. Faça sol, faça chuva, cumpra-se na íntegra os dizeres dos mais velhos.

O Senhor Divino era temido, não se fazia uso do Seu nome sem propósito e as respostas (as que eram tidas como pecado) eram colhidas no Céu, assim diziam os mais velhos.

Não queremos fazer análise comparativa, mas referenciar que os cabelos eram disfilizados, usando pente de ferro que era aquecido ao fogo, untado com pomada vaselina para o amolecer.

A veste no seu cabide era regrada, fatinhos para os meninos, balalaica passado e vincado com ferro a carvão tudo a rigor para os homens e saia peniçada para as mulheres sem esquecer de capulana Zâmbia, sapato envernizado e carteira brilhante, assim fazia-se a família em locais desejados.

O prato do dia era confeccionado em panela de barro, com especialidade. Não faltava o caldo a cubos, colorao e rajah, produtos que deixavam o prato ao gosto e critério de qualquer um que a mesa fosse.

A escova surgiu tarde, na outrora, escovava-se mulala, que para além de fortificar e clarear os dentes, este servia de batom para as mulheres, por isso que ajeitavam no acto de seu uso para não perder o foco.

Para além de xirico, rádio usado para ouvir notícias, havia duplo deck e o famoso barra de sabão, por obrigação, deveria se tapar por um pano de múltiplas cores, bordado pela mãe de casa.

As calças tinham tecido até de sobra, com uma bainha acima do normal que era regrado não mostrar a meia quando estivesse sentado.

Aos finais de semana, a diversão para além de jogo de futebol realizado em alta escala em campos diferentes, havia no intervalo concurso de dança. A diversão era maior.

As crianças eram regradas, para além de desenhos em cadernos, brincavam com carrinhos, xindir ou bonecas feitas na base de frutas ou citrinos. Adolescentes jogavam berlinde e as jovens brincavam à matocozana.

Não havia televisão. As conversas eram feitas em volta da fogueira, contadas pelos avôs aos netos, um ensinamento para facilitar os desafios e adversidades da vida.

O vídeo à cassete, televisor “corcunda preto-branco”, teve espaço tardiamente e era trazido pelos trabalhadores moçambicanos na antiga RDA.

Quem diria! Tudo passa com o tempo. Hoje vemos com a evolução outras formas de viver, ser e estar, alguns com tendência de manter o passado, outros abandonando o antigamente e a vida segue para frente.

É necessário lembrar o passado e manter a linhagem para melhor compreender a forma vivenciada através de traços de ontem para lembrar hoje e construir o amanhã.

CÉSAR NHALIGINGA

Este artigo intitulado foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 27 de Novembro de 2025, na rubrica de opinião denominado OPINIÃO

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