Dura realidade — CÉSAR NHALIGINGA

Havia nas redondezas da cidade um rapaz quem dava duro para sua sobrevivência. Entregou-se a educação para vencer algumas adversidades que a vida o proporcionava.

Levou anos para ganhar espaço no mercado de emprego. Não tendo outra saída, decidiu abraçar o ramo agrícola junto da sua avó para melhor potenciar a terra produzindo produtos para seu sustento e comercialização.

Da parcela que a sua amada avó o teria dado, soube aplicar de acordo com suas necessidades. Culimava e regava a terra diariamente, adubando-a para melhor fortificar a produção.

Triste é que o mesmo sofria “roubos constantes daqueles que se envergonhavam em realizar actividades iguais, afinal cultivar requer prática para seu domínio e noção da época para definir o que plantar e colher com facilidade”.

Cansado de sofrer e já amargurado, o rapaz lamentou para a sua avó que andava todo angustiado e com total desespero, mas esta não apercebeu a prior, o juízo do seu neto, tendo respondido antes de saber a razão do clamor pelo rapaz: não viu nada filho, é cedo para desistir.

“Mas dou muita força, não te canse, olha para minha idade e posição, agora imagina você, todo jovem, com força para tudo, deveria sim ter mais vontade de trabalhar que meu desejo é colher esta época e deixar tudo sob seu controle”.

O rapaz não falou nenhum, que foi reflectindo nas palavras da sua avó e preferiu manter-se calado, mas com fúria no que estava a acontecer na sua machamba.

Certo dia, logo pela aurora, fez-se junto da avozinha ao local de cultivo, com sua enxada na mão, assegurava noutra um saco que dele poriam alguns produtos a colher, mas estes foram surpreendidos com quem primeiro tivera chegado e colheu o que não o pertencia.

Peço água…tenho sede, disse a avó ao rapaz, com olhar trémulo e desesperado, este entregou a pobre garrafa para que a velha tomasse do líquido pedido. Tens noção disto? Pergunta ela ao neto.

Não vovó, respondeu todo desesperado…, quando falei noutro dia que andava cansado era mesmo por este acto, não pela minha estrutura física, mas percebi que não me havia entendido por isso que pautei pelo silêncio.

“Rancorosos ficaram e saíram sem nenhum produto do que pensava em colher”, mas a uma atitude daquelas certamente que nada passaria sem ajustes!

De regresso a casa, o silêncio fazia-se sentir entre ambos, que cada um pensava quem poderia ter feito, que estava claro não ter sido para consumo, mas sim para venda, tal que foram vendo alguns legumes, vegetais e produtos em berma da estrada e das ruas com pessoas que não entendem nada sobre o cultivo.

“Revoltado fica o rapaz que não faltou a coragem de se aproximar destes”, com lágrimas no rosto, disse a avó: – te assegure meu neto, as coisas não se resolvem a força, tal como fizeram sem sabermos quem foi, também “sofrerão sem saber a razão”.

No dia seguinte, decidiu submeter-se a superstição, junto dos seus “búzios”, comandado pelo “espirito mau”, enviou-os em direcção de quem mal fizera, sem conhecimento do neto, este vê seu vizinho “tirando capim e arrancando folhas” pelas ruas, repetitivamente…

Contou com tristemente a sua avó, quem a teria dito para que continuasse com espírito de honestidade para seu bem-estar e simplicidade na vida, ainda o quer ver bem!

O rapaz percebeu o que a avó quis dizer, mas vivia como se nada soubesse, continuando a tapar o sol pela peneira para não criar desconfiança no seio dos que os rodeavam.

Precisamos perceber que nem sempre as coisas saem como as planejamos, é sempre bom gastar energia dedicando-se no cultivo do que se formou, evitando rumo do adolescente que terminou a vida enlouquecido pelos maus actos que o carregava.

Lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe e vença com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante.

CÉSAR NHALIGINGA

Este artigo intitulado foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 11 de Dezembro de 2025, na rubrica de opinião denominado OPINIÃO

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