Turismo como motor da recuperação pós-cheias — RAFAEL NAMBALE
Moçambique enfrenta mais um período de cheias que provocaram destruição de comunidades, danos em infraestruturas e a vulnerabilização de milhares de famílias. Entre os sectores mais afectados está o turismo, um dos pilares da economia nacional e fonte de rendimento para muitas populações locais.
Para além da constatação dos prejuízos, impõe-se uma abordagem orientada para soluções. O momento exige respostas práticas e coordenadas, capazes de transformar o turismo num instrumento de recuperação económica e social.
Uma primeira medida passa pelo apoio imediato aos pequenos operadores turísticos. O Estado deve criar linhas de financiamento de acesso simplificado e rápido para hotéis de pequena escala, lodges comunitários, operadores locais e guias turísticos afectados pelas cheias. O sector privado pode reforçar este esforço através de fundos solidários de recuperação.
A reconstrução das infraestruturas turísticas deve integrar as comunidades locais, gerando emprego directo e rendimento imediato. A prioridade às empresas locais nas obras, acompanhada de formação prática em manutenção e serviços turísticos, permitirá fortalecer as economias comunitárias e acelerar a retoma do sector.
Paralelamente, é fundamental estruturar programas de turismo solidário e comunitário. Em parceria com o sector privado e organizações da sociedade civil, o Estado pode promover pacotes turísticos solidários, programas de voluntariado responsável e circuitos comunitários que canalizem recursos para as zonas afetadas, sem improvisação nem exploração.
Outro eixo essencial é o apoio aos jovens empreendedores do turismo. A facilitação de microcrédito, associada à formação prática em gestão, marketing e prestação de serviços, permitirá diversificar a oferta turística e torná-la mais resiliente a choques climáticos.
A promoção internacional de Moçambique deve igualmente ser ajustada, destacando a capacidade de recuperação do país, o envolvimento das comunidades e os projectos de impacto social em curso. Esta abordagem contribuirá para restaurar a confiança dos visitantes e atrair um turismo mais consciente.
Por fim, torna-se indispensável investir em prevenção. Infraestruturas turísticas devem ser implantadas em zonas seguras, acompanhadas de planos de emergência, melhoria de sistemas de drenagem e proteção ambiental. Prevenir continua a ser mais económico e eficaz do que reconstruir repetidamente.
Conclusão
As cheias não podem continuar a ser seguidas apenas de lamentos e promessas.
O turismo tem potencial para funcionar como ferramenta concreta de recuperação económica e social, desde que sustentado por políticas públicas eficazes, investimento responsável do sector privado e protagonismo das comunidades locais.
O momento exige menos discursos e mais ação coordenada.
* Colunista e observador político moçambicano
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal REDACTOR, na sua edição de 30 de Janeiro de 2026, na rubrica de opinião.
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