Devo andar distraído — REFINALDO CHILENGUE
Assumo, piamente, que sou um distraído por excelência, razão pela qual acredito que daqui em diante vou desenrolar uma interminável pilha de baboseiras. Por isso, desde já, imensas desculpas.
Apesar de tudo, estou a par de que o país está mergulhado numa tragédia talvez comparada ou superior às de 1977 e 2000.
Também não estarei longe da verdade se afirmar que o país está independente já lá vão mais de 50 anos. Igualmente não estarei longe da verdade se afirmar que é do domínio de todos os adultos de que ciclicamente, Moçambique, entre Outubro de um ano e Abril do ano seguinte anda neste “festival” de intempéries.
Curiosamente, os que (des)governam este local que até se diz “belo e vasto” parece que nunca se dão ao esforço de pensar em como mitigar, efectivamente, este ciclo de dramas mortíferos e devastadores.
De há uns tempos a esta parte, com a promessa de melhores rodovias, Moçambique foi inundado com um sem número de portagens em tudo o que é via, na sua maioria implantadas e geridas por quem nunca construiu uma única picada, sequer.
Hoje, Moçambique está a braços com essas mesmas vias pagas para nelas se circular intransitáveis, e, como disse logo no início — devo andar distraído —, pouco ou nada se ouve dessas entidades que diariamente nos vão ao bolso cada vez que percorremos alguns quilómetros destas velhas, estreitas e esburacadas rodovias. Não seria este o momento para elas darem o ar da sua graça? Presumivelmente, por estas alturas os donos das portagens devem estar a roçar, suavemente, os dorsos dos respectivos narizes à espera que o Governo, coniventemente, abra os cordões à bolsa, para depois voltarem à carga, alegremente, retomarem cobranças nas portagens das/nas vias que nunca construíram.
Já agora, com a tecnologia e engenharia tão desenvolvidas que estão — pelo menos para quem estudou de verdade — não seria, por exemplo, este o momento oportuno para reconstruir aquele troço que vai de Palmeiras a Xinavane, que era usado até ao princípio da década de 70 do século passado? Desabitada que é, até podia servir de via rápida, sem os enfadonhos 60/km/hora que caracterizam a destratada EN1.
O problema é que os nossos (ir)responsáveis vão alegar indisponibilidade de recursos financeiros para tal, mas a mim não me convencerão, porque praticamente todos os dias ouvimos denúncias de desvios de avultados valores monetários do erário, montantes esses que sempre que for para resolver o bem comum se alega não existirem.
Por favor, poupem da pressão extrema sobre este povo que já tolerou até o intolerável!
A MINTHIRU IVULA VULA KUTLHULA MARITO! Os actos valem mais que as palavras! Digo/escrevo isto porque ainda creio que, como em anteriores desafios, Moçambique triunfará e permanecerá, eternamente.
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 30 de Janeiro de 2026, na rubrica TIKU 15.
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