Da dura crítica à falta de vontade política — JÚLIO CUMBE

Nos últimos anos, o país tem formado interna e externamente numerosos intelectuais nas mais diversas áreas do saber. O número de licenciados, mestres e doutorados cresce de forma consistente, ampliando o capital humano nacional.

Esses quadros, directa ou indirectamente, pensam, reflectem e propõem soluções para o desenvolvimento económico, social e político de Moçambique. Alguns fazem-no de forma contundente; outros, com moderação e fora dos holofotes. Pode-se, portanto, afirmar que o problema do país não reside na escassez de cérebros. Ideias existem — e algumas delas são geniais, aplaudidas e convincentes quando apresentadas, transmitindo a expectativa de que o Governo ouviu-as e, eventualmente, as implementará.

As duras críticas e propostas apresentadas pelo bastonário da Ordem dos Advogados, não constituem um caso isolado. Em diversos fóruns, multiplicam-se análises, recomendações e soluções concretas. Contudo, raramente são acolhidas ou transformadas em políticas públicas. Fica a sensação de que existe um órgão de consulta paralelo, desconectado da sociedade civil e da academia.

Diante disso, impõe-se uma reflexão sobre a vontade política. O problema não é a ausência de propostas, mas a ausência de vontade política por parte de quem governa para acolher e implementar as ideias provenientes dos diversos segmentos da sociedade. Observa-se uma aparente prontidão para ouvir, mas uma persistente lentidão — ou resistência — para agir.

Na governação, é imprescindível que exista vontade política genuína, para que o país se desenvolva e os cidadãos vivam com dignidade, melhorando efectivamente as suas condições de vida.

Ano após ano, repete-se o mesmo padrão: discursos que evitam enfrentar as causas estruturais dos problemas e preferem apontar culpados internos e externos. A pergunta que se impõe é: a que nível de subdesenvolvimento precisamos chegar para que, finalmente, a vontade política se manifeste?

A ausência dessa vontade abre espaço ao oportunismo político e a promessas de soluções milagrosas. Ao mesmo tempo, cria-se uma dicotomia evidente entre o discurso oficial e a realidade vivida pelo cidadão comum.

A luta não é com armas, mas com ideias e propostas concretas. Não devemos vergar diante das dificuldades. É preciso continuar a criticar, questionar e propor — mesmo enquanto aguardamos que a vontade política queira para querermos desenvolver.

JÚLIO S. CUMBE

Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 16 de Fevereiro de 2026.

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