Rodovia Nampula/Moma: um teste à paciência e coragem
São 09 horas da manhã de domingo, 8 de Março de 2026. Parto de Nampula com o coração animado e cheio de alegria, como qualquer um que regressa à terra natal. Destino: Moma.
Mal pensava que aquela viagem de apenas 202 quilómetros de rodovia se transformaria num verdadeiro martírio, com uma duração de acima de meio dia.
O primeiro golpe psicológico veio pouco tempo depois do início da jornada: a famosa via alternativa de Angoche parecia uma armadilha. Buracos enormes engoliam a viatura a cada quilómetro percorrido. A estrada não perdoava, testando nossa paciência e coragem a cada instante.
Cada obstáculo era um lembrete cruel de que a viagem seria longa e sofrida. Chegados à zona de “Marcação”, o cenário se mostrou ainda mais desolador: Lama, pedras, troncos e ramos cortados e crateras enormes faziam o postal.

Troços que em estrada normal se fazem um menos de dez minutos, na rodovia Nampula/Moma duram mais que uma hora. Aqui, cada minuto é sinónimo de desafio até ao mais valente e determinado deste planeta. Quando pensei que o pior havia ficado para história, outro obstáculo surgiu em Mpivi.
Para contornar o chamado “Quilômetro 6” neste itinerário, fomos obrigados a seguir um [improvisado e muito estreito] desvio baptizado por “Via Jagoma”. Bem destratado.
Uma viagem que deveria durar não mais que duas horas dura aproximadamente mil minutos, esgotando a paciência, dinheiro e energia de todos que se aventuram a percorrer esta rota.
Ao longo da estrada pululam bandos de adolescentes e jovens frenéticos que montam “postos de portagens” cujas cobranças são literalmente à força, e não raras vezes com uma “banda sonora” de insultos a animar o ambiente.
No troço Mogovolas-Moma, quem não paga entre 20 e 50 meticais a estes oportunistas não passa. Intimidações e pressões transformam cada quilómetro numa provação.
Hoje, o transporte entre Nampula e Moma custa entre 700 a 1.000 meticais/passageiro.

O desespero aumentava, mas a vontade de chegar à terra que me viu nascer era maior que qualquer cansaço. E finalmente, Moma surgiu no horizonte.
Mas a chegada, que deveria ser motivo de festa, trouxe uma mistura de constrangimento e frustração. Não é fácil chegar à terra que se ama quando o caminho é tão tortuoso.
Uma luz ao fundo do túnel

Ainda esta semana, em bom rigor no dia 10 deste Março, a Administração Nacional de Estradas (ANE) anunciou um concurso para asfaltagem da via — no âmbito de um esforço de asfaltagem de 306 de estradas em toda a província de Nampula —, algo que impressiona a poucos, dado o histórico de promessas não cumpridas na memória de muitos.
Importa recordar que a asfaltagem de mais de 600 quilómetros de estrada na zona Sul da província de Nampula foi uma das promessas do actual timoneiro eleito desta circunscrição territorial de Moçambique, Eduardo Mariamo Abdula, durante a sua campanha eleitoral em 2024, na qualidade de cabeça-de-lista do partido Frelimo e candidato à governador.
Em 2025, em visita de trabalho ao distrito de Moma, Abdula, carinhosamente apelidado de Tio Salim anunciou que o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, “não descansava enquanto não encontrar solução para a construção da estrada Nametil/Moma”.
“Será desta vez que a estrada vai finalmente a promessa passará disso para a realidade?”, é o que se ouve de quase todos os que se debruçam sobre o anúncio inclusivamente publicado em alguns meios de comunicação social de Moçambique.
De acordo com o anúncio do concurso público, estão abrangidos os troços Nametil/Chalaua (48 quilómetros), Chalaua/Moma (83 quilómetros), Monapo/Quixaxe (52 quilómetros) e Liupo/Angoche (61 quilómetros), incluindo a N12 no distrito de Nacala-à-Velha, numa extensão de 20 quilómetros.
A coisa se torna ainda mais escandalosa quando se sabe que em Moma está em exploração um dos recursos minerais naturais mais raros e valiosos do Mundo.
Todavia, apesar de cada buraco, banhos de lama, atraso e desvio, Moma continua sendo minha terra, e cada quilómetro percorrido reforça o amor e a saudade que carregamos no peito.
ELINA ECIATE (Texto e fotos)
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Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 13 de Março de 2026.
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