O Estado não tem cartão de militante, quem vence hostiliza — JÚLIO S. CUMBE

Há um erro propositado que, progressivamente, se transforma em modus vivendi dos partidos políticos, dos seus militantes e dos adversários em períodos eleitorais. Este comportamento acaba por reflectir, em larga medida, o próprio espelho da convivência social em Moçambique.

As eleições não devem ser encaradas como um espaço de ansiedade extrema pela vitória, seguida da hostilização dos vencidos. Devem, antes, constituir-se como um momento de afirmação da democracia, de apresentação de propostas sólidas de desenvolvimento e, sobretudo, de construção de uma visão comum de Estado. Um Estado que exige a participação de todos, independentemente da cor da pele, filiação partidária, religião ou qualquer outra pertença.

A convivência política não pode assentar na ideia de que apenas quem vence tem legitimidade para falar, enquanto as ideias dos vencidos são automaticamente desvalorizadas. Avaliar propostas com base na filiação partidária de quem as apresenta compromete a justiça e a racionalidade do debate público, como se as melhores soluções tivessem dono ou cor política definida.

Este tipo de prática, repetido inúmeras vezes, fragiliza o desenvolvimento do país. Por um lado, desmotiva a apresentação de novas ideias; por outro, torna o tratamento das propostas excessivamente burocrático, seletivo e, muitas vezes, tendencioso.

Não se pode afirmar de forma categórica que a juventude esteja alheia ou desinteressada em contribuir para a resolução dos problemas que a afectam e para o progresso nacional. Pelo contrário, o que se observa é que, ao longo dos diferentes governos, muitos dos problemas persistem sem alterações significativas, assim como as soluções propostas. Tal cenário levanta dúvidas quanto à real vontade política de responder às inquietações desta camada da sociedade.

Importa reconhecer que a fragmentação social e a disputa pelo poder com o intuito de excluir determinadas classes não trazem benefícios ao país. Existem exemplos, a nível internacional, de nações que promovem a união entre os seus cidadãos, conscientes de que a coesão interna reduz a margem para interferências externas e fortalece o desenvolvimento económico, social e político.

Ao mesmo tempo, o crescimento da intolerância política e o cerceamento das liberdades individuais geram um clima de desconfiança nas instituições. Muitos cidadãos, receando burocracia, perseguição ou intimidação, evitam recorrer aos canais formais de justiça, optando por expor situações nas redes sociais, numa tentativa de obter visibilidade e reação institucional.

Que há uma crise de liberdade, há sim. Mesmo leigo na matéria se nota. Deste modo, não dialogamos inclusivamente, até porque o que é dialogado presentemente é oportuno que alguns pontos entrem em execução, e melhorem, são de consenso comum. Assim, em parte, dá-se crédito ao processo do diálogo nacional inclusivo.

JÚLIO S. CUMBE

Este artigo foi publicado em primeira mão na edição em PDF do jornal Redactor do dia 02 de Abril de 2026.

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