“Brincar” com o poder — REFINALDO CHILENGUE

A actual crise dos transportes em Moçambique expõe, de forma preocupante, fragilidades na condução do poder público.

Em momentos como este, não há espaço para improvisos, hesitações ou mensagens de interpretação difusa ou contraditórias.

Governar implica responsabilidade acrescida — e, acima de tudo, consciência de que não se pode “brincar” com o poder.

Nos dias que correm, pelas bandas da “pérola do Índico”, o que se observa é, em muitos casos, uma reacção tardia e desarticulada. A ausência de medidas preventivas eficazes e a falta de comunicação clara têm contribuído para o agravamento da situação, para o gáudio de alguns demagogos, populistas e oportunistas. Quando o Estado falha em antecipar crises ou em geri-las com firmeza, abre espaço ao oportunismo barato, pânico social e à perda de confiança nas instituições.

Um exemplo evidente é a corrida ao combustível e o seu armazenamento em recipientes impróprios, para açambarcamento e posterior especulação.

Esta prática, para além de ilegal — Decreto n.º 89/2019 [Regulamento sobre Produtos Petrolíferos] —, revela um défice grave de controlo e de sensibilização por parte das autoridades. Onde está a fiscalização efectiva? Onde estão as campanhas públicas consistentes? O silêncio ou a passividade do Estado, neste domínio, pode custar vidas.

Mais inquietante ainda é a possibilidade de sabotagem interna do próprio regime. Não se trata de mera especulação política, mas de uma hipótese que não pode ser descartada num contexto em que decisões erráticas e falhas operacionais se tornam recorrentes.

Se existem agentes dentro do aparelho do Estado a comprometer deliberadamente o seu funcionamento, então estamos perante um problema sério de integridade institucional. E ignorá-lo seria um erro estratégico.

Ao mesmo tempo, é evidente que há oportunistas a tirar proveito da crise. Desde a especulação com preços até à disseminação de desinformação, passando pela exploração do descontentamento popular, tudo indica que certos actores estão mais interessados em capitalizar o caos do que em contribuir para soluções. A história mostra que crises mal geridas são terreno fértil para agendas ocultas.

Neste cenário, não é exagero admitir que a actual instabilidade possa estar a ser instrumentalizada para fragilizar — ou até precipitar a queda — do Governo. Tal realidade, ainda que incómoda, deve ser enfrentada com lucidez. A fragilidade política não nasce apenas da oposição externa, mas também da incapacidade interna de resposta e coesão.

O país não pode continuar refém de erros evitáveis, nem de jogos de bastidores. O Governo deve assumir responsabilidades, corrigir falhas e agir com autoridade real, não apenas discursiva. A crise dos transportes não é apenas um problema sectorial — é um teste à seriedade da governação.

E, até agora, esse teste está longe de ser superado.

A MINTHIRU IVULA VULA KUTLHULA MARITO! Os actos valem mais que as palavras! Digo/escrevo isto porque ainda creio que, como em anteriores desafios, Moçambique triunfará e permanecerá, eternamente.

(©)REFINALDO CHILENGUE                                                         

Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 14 de Maio de 2026, na rubrica TIKU 15.

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