Mente uma vez, mente sempre! — REFINALDO CHILENGUE
Há promessas que nascem leves como o vento, mas caem pesadas como a desilusão. Em Moçambique, o povo já aprendeu a medir palavras não pelo que dizem, mas pelo que cumprem — ou deixam por cumprir.
Prometeram capulanas — aqueles tecidos de identidade, de cor, de história, mas no dia esperado, veio o silêncio — seguido de um recuo frio: “quem mesmo as quiser, que as vá comprar nas lojas”.
E assim, o gesto que poderia ser de celebração tornou-se num retrato de descompromisso. Porque quem promete sem intenção de cumprir não falha apenas uma vez; ensina o povo a não acreditar nunca mais.
Do outro lado, vieram os autocarros. Filas de esperança sobre rodas. Cento e noventa promessas metálicas, apresentadas com a urgência de quem sabe que o povo está cansado de esperar. “Imediatamente”, disse o mais alto magistrado da Nação. Palavra forte, palavra definitiva. Mas as estradas continuam cheias de espera, de preços abusivos, de chantagens silenciosas impostas por quem controla o transporte diário da vida do zé-povão, ao que tudo indica eterno sofredor.
O povo continua a acordar cedo não para chegar ao trabalho, mas para negociar o direito de ir trabalhar, não raras vezes sob humilhação de alguns transportadores de passageiros indecorosos.
E assim, entre capulanas que não vieram e autocarros que não circulam, constrói-se um padrão perigoso: o da palavra que não vale. Porque a mentira não precisa ser repetida mil vezes; basta uma, quando é pública, para abrir uma fissura irreparável na confiança.
Os pais da nação — aqueles que deveriam ser guardiões da palavra e do exemplo — parecem ter esquecido que governar não é anunciar, é cumprir. Não é prometer, é realizar. Não é aparecer, é responder.
Quando o discurso se distancia da realidade, nasce o descrédito. E o descrédito é um veneno lento: corrói a esperança, alimenta o cinismo e transforma cidadãos em sobreviventes desconfiados.
Moçambique não precisa de promessas bem vestidas. Precisa de verdades simples e actos concretos. Porque no fim, o povo não pede milagres — pede apenas coerência.
E talvez seja essa a maior lição esquecida: quem mente uma vez, perde o benefício da dúvida. E um país sem confiança nos seus líderes é um país onde até a esperança começa a faltar.
A MINTHIRU IVULA VULA KUTLHULA MARITO! Os actos valem mais que as palavras! Digo/escrevo isto porque ainda creio que, como em anteriores desafios, Moçambique triunfará e permanecerá, eternamente.
©REFINALDO CHILENGUE
PS: Finalmente, esta quinta-feira começaram a circular, com alguma notoriedade, alguns dos novos autocarros alocados à cidade de Maputo, aliviando de alguma forma o ambiente.
Este artigo foi publicado em primeira-mão na versão PDF do jornal Redactor, na sua edição de 15 de Maio de 2026, na rubrica TIKU 15.
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